quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Diário de Bordo#10: Nos meus jardins

Tenho visto muitas edificações inacabadas. Tenho visto muitas coisas frustrantes. Como diria Brennan Manning: "Derrotas gloriosas e vitórias desastrosas." Mas nenhum pensamento que por acaso venha tornar o meu dia melhor.

Enquanto dou umas voltas atemporais nos canteiros e jardins da minha existência, consigo contemplar tantas construções incompletas e deterioradas que chego a pensar que o caos e o acaso são seus engenheiros. Passeio por monturos de castelos de areia que o vento derrubou, por relacionamentos regularmente instáveis e pela metade. Por planos de mudança de vida para um novo ano que não passaram da primeira fileira de tijolos. Projetos de preparação e estudo para um futuro melhor que nunca saíram do papel. Algumas torres de talentos não lapidados, tão mal-acabados e sem reboco que desmerecem o potencial e altura que têm. Passo pelos sonhos tão brilhantes e solitários, rascunhados com esmero e desejo, mas que incompreendidos recebem pedradas, chutes e escarros. Tornar-se-iam monumentais ou simplesmente preciosos aos olhos do projetista. Mas a variável tempo é cruel e todo trabalho resulta de uma relação com o esforço bem direcionado.

Até quando meus jardins serão ruínas do presente? Pois dentre tantas obras inacabadas, achei uma singularmente construída, empoeirada por constantes mudanças. Edificada num alicerce diferente, sobre uma rocha desconhecida. Um altar que embora incompleto não fora abandonado. 

É bom ter esperança de que alguma construção não depende de mãos tão desastrosas e sem perícia quanto as minhas. É bom saber que todo o resto do meu jardim ainda pode ser edificado sobre esta mesma rocha desconhecida.

"Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR.
Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?"
[Jeremias 17:7-9]


terça feira, 11 de dezembro de 2012
J. Caetano Jr.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A desconstrução da utopia

A desconstrução do sonho trata de uma certa desesperança no que consiste o sonhar alguma perfeição na Terra. 

Alguém já disse: "sonhar é ansiedade". De fato, o anseio positivo ou negativo repercute no estado de espirito de quem sonha ou almeja. Estado de espirito que consiste em momento, é inconsistente e por isso não se aplica às formas ideais dos sonhos, que são constantes. O que me faz perguntar: 'Pessoas inconstantes não realizam sonhos ou sonhos são irreais?'

O sonho portanto, é ideal e formado por elementos ideais e constantes, invariáveis. O que foge à realidade da existência. Se na realidade como conhecemos, há variabilidade e inconstância. Podemos dizer que o sonho é um anseio pela perfeição fora da nossa realidade? É inútil sonhar? É possível não ansiar?

A não ser que queiramos e aprendamos a esperar com paciência a realidade que é perfeita, devemos nos contentar com a expectativa e a desconstrução de uma utopia realizada na nossa realidade desconstruída e corrompida.

O que significa que algumas coisas NUNCA vão se realizar! Porque fazem parte de uma projeção de perfeição constituída por nossos conceitos errantes terrenos. E a desconstrução de algumas dessas utopias, torna possível trazer à realidade das circunstancias ao nosso alcance, e fazer o que nos é possível. Assim, talvez alcancemos nossos sonhos.

"Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor."

[I Cor. 13: 10, 12, 13]



sábado, 17 de novembro de 2012

A ilusão do sonho

Calma pessoal. Nada contra sonhos, nada contra idealizações, muito menos contra coisas aparentemente inalcançáveis. Também sou um sonhador como muitos que conheço. O sonho é bom, motivador e como a paixão, o sonho tem a característica de tirar nossos pés do chão e nos levar a patamares surreais. [Ual, senti profundidade nisso]. Sem a idealização não seria possível a realização, poucas coisas grandiosas são feitas sem planejamento prévio. Mas até que ponto sonhar é saudável? Qual o limite da idealização? Existe um limite?

Se sonho, logo idealizo. Mas talvez não tenhamos ideia do quanto nossa visão de mundo é influenciada por ideais externos. O que entendemos como perfeição é tangível?

Muitas perguntas e poucas respostas. Mas compreendo que o limite da idealização é o real. E o real nem sempre é tangível. Logo, é possível sonhar com o impossível, mas com os pés no chão. Nem sempre o impossível nos é possível  [Variáveis, muitas variáveis.] Nossa realidade não é estática, existem regras e leis, mas não para a nossa vida privada. O que pode se realizar para alguns pode não se realizar para outros, e não cabe a mim dizer se isso é obra do acaso ou projeto divino. 

Então sonhe! Idealize! Mas tenha paciência. O sábio de Eclesiastes entendeu bem isso: "TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu."[Ec.3:1] Sua história não é igual a de ninguém. Nem sempre todo  esforço do mundo vai realizar o maior sonho do universo, mas não custa nada tentar. Ou melhor, fazer o possível, pois quem sabe até onde se estende o seu possível?!

Ser platônico nem sempre é legal. As formas ideais estão nas ideias e não na realidade em que vivemos, então é melhor desistir de algumas coisas. O perfeccionismo é como o sal, é bom na quantidade certa. Faz até bem, mas pode prejudicar em grande quantidade. "Então, por isso viva e deixe viver". 

Enfim, não quero fazer do blog um diário. Mas a palavra de ordem é essa, entregar nas mãos de Deus o que se sonha, sonhar com os pés no chão e ter paciência. Sem muitas palavras.

Paz, 
J.Caetano Jr.  

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Desconexo


Desconexo

Desconheço o dia e tudo o que ele traz
Descontento a vida e tudo o que me apraz
Tudo que me faz,
Tudo que refaz,
Tudo se desfaz.

Desconecto, passo livre pra realidade.
Ansioso anseio de algum religare
Faz querer milagre,
Mais querer que acabe,
Qual beber vinagre.

J.Caetano Jr.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sobre: Amputações, serpentes e ídolos

 "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos." (1Jo 5:21)

Existe uma passagem bíblica que me chamou a atenção da primeira vez que eu li. E me surpreendeu, de fato é uma passagem incomum. No antigo testamento, enquanto Israel andava no deserto uma praga de serpentes venenosas, enviadas por Deus atacou o povo que murmurava. Havendo arrependimento, o povo clamou a Deus, que providenciou livramento:


·NÚMEROS  (cap. 21)·
"Então disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá.
Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando esse olhava para a serpente de bronze, vivia."

Deus providenciou a cura para o povo de uma maneira inesperada. Ele deu um amuleto, totem ou sei lá o que se chama aquilo. Mas a serpente de bronze era um instrumento de fé e cura.

O complicado, é que depois de um tempo a bênção que o Senhor providenciou, foi mal utilizada. A serpente, que era um sinal da cura de Deus, se tornou um ídolo. E a coisa foi tão intensa que somente uns séculos depois, na reforma de Ezequias o culto à serpente de bronze foi exterminado.

·II REIS  (cap. 18 - 4)·
"Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã."

Nossa, que absurdo! Pode até soar absurdo pra nossa geração, mas ela faz a mesma coisa. Em todo tempo. O tempo todo transformamos as bençãos de Deus em ídolos. Tudo por culpa de uma mentalidade não transformada pela graça e deturpada pela nossa natureza, onde todas as coisas giram em torno de nossos planos e vidinhas medíocres. 

Temos a capacidade de por egoismo, utilizarmos os dons de Deus e presentes que Ele nos deu para engrandecimento de seu nome, para 'sairmos bem na fita'. Engrandecimento da própria imagem. Marketing pessoal. Isso é realidade, basta reparar na quantidade de popstars gospel que existem desfrutando da fama que seria de Deus.

Levantamos as serpentes dos nossos prazeres e acendemos incensos. Louvados sejam "eus". Todas as vezes que esquecemos o cristocentrismo, nós colocamos outras coisas no lugar de Deus. Assim nos tornamos materialistas, egocêntricos, egoístas, mesquinhos, bajuladores, mal educados, beberrões e caluniadores. Esquecemos então o proposito real de todos os dons e presentes. Glorificar a Deus.

Mas: 

"Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.

E, se teu olho te fizer tropeçar, arranca-o, e lança-o de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que tendo dois olhos, ser lançado no inferno de fogo." 
(Mt:18-8, 9)

Em outras palavras. É necessário ter a coragem de remover um membro para exterminar os ídolos que elegemos. Essa é a ousadia necessária para remover o egoísmo e colocar Deus no seu lugar devido. Deus nos dê esse amor por Ele, e essa ousadia. Amém.



Paz,
J. Caetano Jr.






terça-feira, 28 de agosto de 2012

Meus heróis


Existem heróis e Heróis. Mas meus Heróis não são incomuns, não são semideuses nem descendentes de gigantes. Não tem grandes nomes. No máximo carregam um Silva, um Santos ou um Nascimento. Nas narrativas históricas, talvez eles permaneçam anônimos. Mas sempre serão lembrados pelos que os conheceram.
Meus Heróis não estão em filmes de Hollywood, não estão em gibis, nem usam roupas elaboradas com ‘S’ de Super. Aliás, eles nem são super-heróis, são apenas Heróis. Não andam fantasiados. Pelo contrário, conhecê-los de perto me faz ver que eles são tão humanos quanto eu. Sem máscaras, sem esconderijos e sem fingimentos.

Meus Heróis usam roupas comuns e repetidas, bermudas e camisetas rasgadas, fardas, uniformes escolares. Nada que os caracterize como heróis. Mesmo assim são pra mim. Eles tropeçam nos móveis da casa e batem com o dedo mindinho, levam topadas, caem, lesionam os dedos das mãos e sentem dor nas articulações. Mas são meus heróis.  

Meus Heróis não têm a vida ganha. Eles acordam todos os dias para conquistar. Acordam cedo para trabalhar e dormem tarde para estudar. Levantam com sono para a batalha e não dormem dando plantões. Meus Heróis trabalham comigo. Eles são meu exemplo. Eles têm as mãos calejadas e os dedos queimados nas panelas da cozinha. Eles derramam sangue no chão da oficina. Eles enfrentam a preguiça e a vencem.
Meus Heróis falham em imitar ao único Herói perfeito chamado Jesus Cristo, eles pecam, mas seguem seu exemplo e nunca desistem de tentar ser como Ele. Por isso são Heróis. Eles compartilham comigo suas dores e alegrias. Seus medos. Sabem abraçar-me docemente, e quando necessário sabem tratar-me com dureza. Eles preferem me dizer as mais amargas verdades do que me oferecer as mais doces mentiras.

Meus Heróis sabem que são limitados, sabem que os atletas são treinados para não falhar. Mas compreendem que atletas são humanos, e humanos falham. Por isso treinam como não humanos. Sabem quando precisam descansar e quando precisam ir além de seus limites. Meus Heróis crêem além do que se pode ver e conquistam além do que se possa imaginar.

Meus Heróis são todos aqueles com quem eu convivo e vejo as lutas. Aqueles que, de tão próximos me fazem participantes de suas vidas. Aqueles por quem eu oro. Aqueles que oram por mim. São mais do que simplesmente Heróis. São meus irmãos. Minhas irmãs. Minha família. Eles são os meus Heróis.   


J.Caetano Jr.

domingo, 5 de agosto de 2012

Ataque Surpresa

Algumas feridas param de doer. Enquanto outras estão só no principio das dores. Estou cego. O estilhaço inesperado da indecisão raspou no meu rosto e fincou no meu olho esquerdo. O outro seria o bastante para enxergar muito bem se não fosse toda essa neblina. A situação fica a cada momento mais complicada. Algumas loucuras passam pela minha cabeça. Voltar atrás, desistir de tudo, correr desesperadamente, dar um tiro no escuro. Nada disso adiantaria nada, talvez para piorar as coisas.

E a posse? Ah, a ilusão da posse. Eu tinha tudo em minhas mãos, todos os planos, os trajetos os tempos e contratempos. Tudo parecia tão sob controle. Até que o inesperado revela que não há controle de nada. O controle é uma ilusão, a posse é uma ilusão. O inesperado sempre revela coisas. Revela palavras vazias ou carregadas de amargura. Revela o tamanho de nossa coragem em enfrentar a tragédia, ou o tamanho da nossa frouxura. Revela o nosso amor, e o nosso falso amor. A raiva, e o quanto suportamos ser tentados.

Mas a duvida? O temor? Todo o 'não saber o que fazer' que existe na terra. Essas são as piores situações que se pode estar em meio a uma guerra. De repente, quem sabe, nos sobrevem uma derrota iminente? Uma tragédia esperada? Uma bala na cabeça ou quem sabe, nada? A sensação do nada é péssima pra quem sempre espera um acontecimento.

No momento em que não se enxerga nada, é melhor não fazer nada. No momento da indecisão é melhor decidir por esperar a visão voltar.

Posso ouvir os gritos dos desesperados. Posso sentir o cheiro dos gases toxicos invadindo as entranhas e comendo o juizo dos afetados. Onde existe destruição não há como apelar. Tudo é inesperado. Tudo é repentino. Às cegas é tão dificil ter confiança. Não posso ser tomado pelo desespero. Não agora. Nunca.

Uma mão toca meu ombro e de repente alguém me diz: "Estou aqui. Confie em mim, vamos sair juntos dessa."

Ouço vozes: Organizaar!

E então uma luz de esperança se acende em meu coração. Sei que apesar de tudo o que possa acontecer, posso confiar nalguma unidade. Talvez a unica em que fosse digna de confiança durante toda a vida. Sei que apesar de todos as falhas humanas, e de sempre haver uma granada sem pino no peito de cada ser existente. Fui amado. Sou amado. Posso amar. E não preciso jogar essa granada.

Cp. Esperançoso, 21°Pelotão de Infantaria do Exercito Maltrapilho.
Em campanha rumo à Cidade Celestial. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Diário de Bordo#9: Comigo mesmo


De um canto oculto da cela abafada sai uma figura magra e esquisita, porém familiar. Encostando-se no banco ele diz secamente:

-Oi

-Quem é você?

Respondi.

-Eu? Como você me diz ‘você’, se só você está aqui?

-Sim. Mas a não ser que eu esteja delirando, você está aqui. Quem é você e como entrou aqui?

O estranho pega um cigarro e acende. Suas mãos são finas e tremem. Suas articulações parecem dobradiças mecânicas do corpo. E um sobretudo se ergue até sua nuca, escondendo o pescoço, provavelmente tão fino quando o rosto. Ele é esquelético e a voz treme quando fala.

-Olhe para mim, você me conhece muito bem, evidentemente que me conhece tanto quanto conhece a si mesmo. Na mesma intensidade, na mesma direção no mesmo sentido.

-De fato, você não me é estranho, mas não somos íntimos!

-Não somos íntimos? Só me faltava essa!(gargalhadas).

No íntimo eu senti um calafrio. Ele não se parece um louco, nem eu estou.
Ele se aproxima de mim, joga o cigarro no chão. Seu hálito é um misto de álcool e nicotina. Ele olha no fundo dos meus olhos e eu me vejo olhando pra mim.

-Por favor, não seja hipócrita. Não minta para si. Ou devo dizer, “para mim”? Olhe bem no fundo dos meus olhos negros e diga que não me conhece! Olhe para o meu cabelo, minhas mãos e minha roupa e diga que não sabe quem sou eu! Perceba a minha capacidade de vício. Note como tudo isso faz parte de você.  A inquietação, a hiperatividade, ansiedade e diga que isso não faz parte de seu caráter. Olhe a revolta na minha boca seca, a rebelião e a insatisfação em ser você mesmo e tente me dizer que nunca sentiu isso. Poupe-me do seu medo em assumir seus erros, assuma que você é tudo isso que você vive combatendo. Reconheça que eu sou você!

Fui tomado pelo silencio. Até sentir respostas fluírem livremente da minha boca.

-Talvez, você seja eu. Mas eu não sou você. Não hoje. Não mais. Tudo em mim se fez novo ainda que eu tenha toda essa capacidade de rebelião. Revoltar-se não pertence mais a mim. Não confio no que posso fazer, mas sim no que um dia foi feito por mim.

-Não chore garotinho. Ainda que você tente se esconder por trás dessa roupa de refugiado coitadinho. Suas atitudes revelam quem você é. Você teme assumir sua total rebelião contra a vida alienando-se na fé. Eu consigo sentir o medo em você. Estar aqui sozinho comigo nessa cela não te faz bem.

-Já me acostumei. Não se preocupe. O que não me faz bem é o mofo dessa parede. Se eu sou você, já aprendi a te amar. Apesar de tudo.

O amor não parece afetar muito bem o intimo conhecido. Em lugar de quebrantamento, ele parece revoltado, como quem não sabe ser amado. Como um escorpião, que por natureza despreza o socorro. Como um bicho, sua reação é violenta. Ele me encara e grita.

-Você não vai usar essa capa durante muito tempo. Seu auto-sacrifício é também uma extensão de seu egoísmo. Pegue meus vícios, minha revolta, seus medos e covardias. Nossas desconfianças e incredulidades. Coloque tudo num liquidificador com um pouco de nitroglicerina e você vai ver que somos a mesma coisa. Basta apertar um botão. Somos um mistura explosiva. Uma hora ou outra eu vou aparecer novamente. E você vai gostar. Você precisa de mim.

-Meu auto-sacrificio não é movido por egoísmo. Não tenho sido mudado por meio de tradições. Minha nova jornada e meu novo alvo não são coisas que se podem ver, nem muito menos busco aprovações de homens. Senão não estaria preso. O que faço é por amor ao conhecimento daquele que me libertou. E essa marca que eu carrego na mão foi coberta por outro selo, fui selado pela liberdade.

-E seu “amor” (ironicamente) é uma coisa interessantemente limitada... Ele só funciona até você falhar.

-Ora, cale-se! “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados... E Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.”*

O esquisito se afasta, recua e se esconde em sombras. Não o vejo, mas ele permanece lá.

Estou só na cela. Novamente. Comigo mesmo. E começo a entender coisas que mudaram minha percepção da vida. Ele nos amou primeiro. Se eu compreender e aceitar isso, há esperança.


*1Jo 4:19

12 de julho de 2012
J.Caetano Jr.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Diário de bordo#8: Respirar


Não dava pra dormir naquela noite. Duas sensações circundavam a atmosfera. Uma alienação semelhante a embriaguez que dissipa algumas preocupações hereditárias, e uma adrenalina que intensificava o sentimento de dor. Dor de não se sabe o que. Dor que não se entende o porquê. Dor de um tipo que não se define como dor.

As trevas eram vivas e assumiam formas medonhas e demoníacas. Eram paredes que impediam o caminhar, eram abismos plantados como armadilhas, eram fantasmas alados que se moviam na velocidade do pensamento. Abocanhavam o que restava da pequena luz sobrevivente, ostentada no antro de maldição. As trevas então, se faziam cordas sólidas, amarrando e rasgando os membros de quem ansiava a liberdade.

Questionava se a liberdade havia se esquecido de ser livre. Questionava-se. Questionava, lamentava, repensava, recuava. Nem mesmo o fogo do inferno queimando aos seus pés o faria levantar vôo com aquelas asas de aço. Asas de ferro quente cravadas nas costas. Correntes com blocos de concreto amarrados aos pés. Uivos de lobo, cânticos de fracasso à não liberdade. Cantaria silenciosamente um tributo ao próprio funeral, se não fossem as trevas, que coladas nos lábios como um esparadrapo dificultavam até a respiração.

Derrotado. Era assim que eu me sentia. O tempo não parecia tempo, era somente um momento, algo tão indefinível quanto o próprio tempo. Nada avançava, nem recuava. Somente a estagnação era aparente.

De repente as trevas recuaram. Como num impulso vivo, as trevas foram quebradas e feitas em partículas por uma luz mais densa. As asas da vaidade continuavam a afundar-me. Eu não conseguia me mover. Tentei fugir quando o vi, vindo em minha direção, mas não consegui fugir. Ele também me atraia como um imã. Seus pés eram reluzentes e sua luz esclarecia todo o entendimento. De sua boca, saía uma espada cortante de dois gumes. Sua palavra penetrou meu ser, dividindo juntas e medulas, sob a pele, senti como se seu olhar conhecesse todos os meus pensamentos. Só então percebi que ele trazia em uma mão uma lista sem fim, uma cédula de condenação para todos os meus pecados. E na outra mão um martelo simples com alguns cravos.

Pensei por certo que pregaria a lista em mim, como uma sentença de execução. Passou por mim vitorioso, e chegando ao lado de uma cruz, martelou com a força do universo. E tendo cravado na cruz os escritos de dívida*, selou-os com sangue: “Está consumado”.

Seu olhar me inspirava a levantar. As asas caíram. As trevas fugiam. O rei andava vitorioso, arrastando pelas ruas os adversários. Triunfante. Tomando um rumo eterno ele exclamou com voz de trovão que abalava toda a Terra: “Vem e me segue!”. Eu parecia renovado, sentia uma força que poderia me fazer voar com asas de águias**. Então eu acordei. Sorrindo. Grato. Preparado para lutar.

*Colossenses 2:14
**Isaias 40:31

J.Caetano Jr.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Silêncio



 O que tenho...


  ...É o silencio que não quero,
O barulho que não quero,
E a agonia que não quero.

O alarme chato de um carro,
E o agudo som de um grito.
Ouço o cachorro latindo,
O motor quente da máquina.

Uma conversa bem alta,
E um assobio na obra.
Cai pedra, telha, cai porta.
Cai gente, ideias e coisas tortas.
A ambulância então passa voada.

Dá-me o silencio, um tampão auditivo.
E então um remo, um riacho com barco.
Mostra-me um monte pra ver o que faço.
Uma escalada, sozinho pro alto.

Dá-me esse vento, esse livro e uma praia.
Dá-me esse choro essa cama e esse quarto.
Deixa-me só, encontrar-me comigo.

 Dai-me esse encontro contigo num bosque.
Dá-me esse abraço em silencio bem forte.

Dá-me essa ausência de medo e barulho.

E no silencio, meu Deus, Tua presença.


Julho de 2012,
J.Caetano Jr. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Vazamento



Tudo começa com um diagnóstico simples que qualquer não profissional pode dar. De repente você se encontra coçando a cabeça, meio encurvado e com os pés numa poça d’água. “Tem alguma coisa errada”, você conclui logicamente.  A primeira coisa que se faz é procurar de onde vem a água. Olha aqui, olha ali e pronto! A água vem do chão. Um vazamento do chão requer uma quebradeira muito grande pra ser resolvido. E é até meio incomum. Mas o que teria acontecido para alguma coisa dar errado na minha vida? Isso é tão incomum. Você observa o problema e tenta descobrir uma solução. “Esse erro vem aqui desse buraquinho”. Mas a conclusão é tão superficial que você decide ir mais fundo.

A marreta quebra o piso com a mesma agressividade que os seus pensamentos vasculham seu histórico de vida. Suas ações indisciplinadas, seus erros antigos, coisas que sobrepõem outras. Você quebra a casca da aparência. O piso nada mais é que areia e entulho, e você acaba descobrindo que você mesmo não passa de um ser humano. A cobertura dura e enganosa é aos poucos removida, quebrada, feita em pedaços. Torna-se temporariamente inútil.

Você vasculha o piso molhado, tenta remover a água e a terra. O registro também está quebrado, a água não pára de jorrar. Investigando mais fundo como um detetive, você segue os rastros do vazamento misterioso. De onde vem a água? A marreta e a pá agora trabalham juntas. Muita coisa ainda precisa ser removida para se chegar à raiz do problema.

Parece que essa investigação vai te custar um bom tempo de dedicação. E Pacientemente, removem-se os obstáculos. Todo o lixo escondido que sustenta a sua aparência agora se encontra exposto. E o que você pode fazer? Colocar de volta? Mas o problema persiste, o vazamento continua. O incomodo deve ser suportado. Encontrar a raiz do problema requer coragem para enfrentar e remover os entulhos da vida.

Então você continua a cavar. Ninguém pode te ajudar nisso. Você está só, num buraco cheio de entulho, terra e lama. Era só um buraquinho, um pequeno filete de água. Mas agora é caos, confusão, dúvida. A impaciência o toma e você se senta para descansar sem saber o que fazer.
Poucos minutos depois quando a água pára de ser remexida, pode-se observar sua direção. A origem desconhecida parece deixar rastros. Você persegue seu problema. As ferramentas mudam. Você precisa se aprofundar mais. No trajeto, cortes, surpresas, cansaço e um sentimento constante de apreensão.

Surpreendentemente você encontra o cano quebrado e ele dispara um jato d’água no seu rosto. Aparentemente, remover toda a cobertura só piorou as coisas. Mas verdadeiramente, a solução requer caminho livre e vista clara daquilo que tanto incomoda. Somente assim pode-se consertar esse vazamento.

Empolgado você remove a terra ao redor do cano, deixa o espaço livre para trabalhar. E arruma uma solução temporária para o problema, coloca alguma coisa pesada em cima do cano para impedir o fluxo. Agora a decepção. Você não é um encanador. Cavar é difícil, mas não precisa de experiência. E você não tem a mínima idéia de como consertar um cano quebrado. E é mais ou menos o que acontece quando deparamos com as nossas frustrações, sabemos o que leva ao erro, o que produz a tristeza, qual a fonte da indecisão e medo. Mas não temos a mínima idéia de como lidar com aquilo.  

Ao invés de sentir-se frustrado, milagrosamente você sossega. Se não fosse seu pai ao lado talvez não fosse dessa forma. Mas ele, além de tudo, também é encanador. Não um profissional encanador contratado. Mas com certeza ele sabe o que fazer.

Em pouco tempo o trabalho produz bons resultados. O vazamento pára. E você percebe que pode contar com seu pai para resolver aquilo que você não pode. Só é necessário um pouco de esforço e entrega.


junho de 2012,
J.Caetano Jr.   

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Souvenir

O escarlate brilhante dos lábios cheirosos da dama confunde-se com o rubro estampado na sala, na camisa e na face do rapaz. Três tiros, gritos e mais nenhuma palavra. Assim findou-se a discussão que se iniciara sem argumentos lógicos.

Explicações sem nexo e gaguejar na fala não conservam a vida de ninguém diante da ira enciumada de um homem traído. O que era o prazer diante da dor e da própria morte?  O que era a vergonha de ser achado indigno? Foram os últimos pensamentos racionais de uma razão que perdera momento em que fixou os olhos na sedutora ilusão. Descobrira quão amargo é o fim do vinho doce que ela lhe oferecera.

Experimentara a agudez das setas que se lançaram no coração. Caminhou para a morte como um boi ao matadouro. Tarde demais para reconhecer que a experiência de ser reconhecido como um trofeuzinho nas mãos de uma louca não possui valor algum. Tornara-se descartável, apenas uma conquista. Só mais um Souvenir.

[Provérbios 7:5-27]

sábado, 5 de maio de 2012

Deus? Creio, mas nem tanto!



Como assim? Seria possível acreditar em algo ou alguém sem acreditar realmente? Seria plausível uma crença em que se existe e não existe ao mesmo tempo? Não. Não se pode relativizar a fé. A existência é um absoluto, é sim ou não. É ou não é. Crê ou não crê.

ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.”[Hb.11:1]

"Nem queria crer mesmo!"
(Yao Sobre a fé)
Vivemos num meio onde nem as ciências exatas são mais consideradas exatas. Relativiza-se tudo. Cada um faz o que quer não o que se deve fazer. Afinal de contas, qual o conceito de dever? As únicas obrigações que exercem maior poder sobre a nossa geração são aquelas que fazem parte do âmbito da sobrevivência e do material, senão, aquelas que remetem ao prazer, instinto, necessidades básicas. Nossa geração é hedonista e materialista.

Num meio onde os conceitos de dever e moral terminam onde começa o nosso individualismo, a única convicção, ou firme fundamento que parece permanecer é a conveniência. Cada um faz o que é conveniente. No mundo dos prazeres e dos riscos, só se sustenta uma convicção até onde ela é viável. Só se crê até onde a fé não é prejudicial. O caminho que se segue é individual, a verdade que se defende não é absoluta, e a vida que se tem é instável. O que acaba por definir os valores de uma geração são suas convicções (ou a ausência delas). Os círculos sociais são a maior prova de que existem influencias por meio das convicções nas práticas coletivas.

No que cremos? Sem fundamentos e convicções tornamo-nos instáveis como casas sem alicerces. Somos assim levados por todo vento de doutrina e de novidades. Sabemos que Deus não quer isso de nós. E na mesma intensidade com que muitas vezes não se consegue compreender como se trilha o caminho da vida, o que é a verdade, e até mesmo o que é a vida. Jesus nos convida a fazer dele o nosso firme alicerce: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” [Jo.14:6]. Amém.


Paz,
J.Caetano Jr.

domingo, 15 de abril de 2012

Diário de Bordo#7: O que se pode ver

Elevo os meus olhos para os edifícios, de onde me viria o socorro? Dos becos sombrios da cidade, ou das ruas poluídas onde mal se pode respirar? Dos anúncios de consumo, dos entretenimentos ou das recreações baratas?

Me pergunto entretanto se o conhecimento, a ciência ou o racionalismo poderiam, de fato, alterar o rumo da realidade.

O sistema tosse, tem crises epiléticas, a criação geme. Que governo, poder ou milagre seria capaz de devolver-me a esperança? Mais me parece que todos os homens sofrem os mesmos males. Alguns menos, outros mais. Mas nunca se satisfazem, sempre se teme algo, sempre se anseia algo, sempre... A cada momento se sofre. Tem alguma coisa muito errada com a humanidade. É fato. Lembrei-me de um escrito:

"DEPOIS voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis que vi as lágrimas dos que foram oprimidos e dos que não têm consolador, e a força estava do lado dos seus opressores; mas eles não tinham consolador.

Por isso eu louvei os que já morreram, mais do que os que vivem ainda.

E melhor que uns e outros é aquele que ainda não é; que não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.

Também vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de espírito."(Ec.4:1-4)

Novamente, elevo os meus olhos para os montes de concreto, de onde me virá o socorro? "O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará."(Sl.121:1-3)

Reconheço, que tamanho privilégio, acredito numa esperança que não se vê! Pois que o consolador não faz parte do sistema desse mundo, e está além do que me é possível conhecer. Pois uma esperança que se vê, não é esperança.


segunda-feira, 16 de abril de 2012
J.Caetano Jr.

quinta-feira, 29 de março de 2012

OFFLINE

Em pensamento...

As vezes a única coisa que preciso é de um silencio glorioso, ou de um barulho ensurdecedor e grandioso. Sinto que eu preciso da presença do maior paradoxo do mundo. Preciso unicamente de sua vida em minha morte, ou de uma morte viva em vida. Almejo paz em meio ao caos, desejo ter consciência e lucidez. Escandalizo. Não preciso de um profile virtual que simule outro eu. Penso porque existo. Fora do sistema. Fora de área. Offline. 


J.Caetano Jr.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Acepção de pessoas! Sim, eu faço!


Infelizmente você também faz. Confesso publicamente meu pecado, faço acepção de pessoas. Escolho pessoas a quem amar, escolho pessoas a quem pregar o evangelho da paz (de todos os povos); e com isto, acabo sem querer escolhendo quem deve ir pro céu. Quando na verdade, ninguém merece ir pro céu. 

A acepção que fazemos das pessoas, está intimamente ligada com os nossos preconceitos. Nossos conceitos morais exagerados e muitas vezes irracionais e legalistas. Chegam a ser inconscientes, as formas com que selecionamos aquilo que é 'bom' aos olhos de 'Deus'. 

"A burguesia me enoja!", "molenga merece levar pau!", "...é uma viadagem mesmo...", "Politico ladrão devia mesmo era morrer.", "Detesto pobre, suporto eles em amor.", "Religiosos e seus dogmas, vão pro inferno com isso tudo."...  E outros tantos que falamos e deixamos fluir como a água amarga de uma fonte que deveria ser doce.

A seleção de valores que consideramos mais importantes passa ditar as regras de quem devemos amar. Jesus nos mandou amar o próximo. E não fazer acepção de pessoas. Certa vez alguém falou, que amar não é um sentimento e sim uma  escolha, uma postura que assumimos diante das pessoas que nos cercam.

É fácil pra mim, filho de um metalúrgico, que convive com o trabalho desde pequeno, detestar filhinhos de papai. Não gosto de playboy, nem de patricinha. A burguesia me enoja. Mas acabo descobrindo, que o pecado e a ganância do burguês, é tão fedorenta e podre, quanto a minha ambição secreta de poder e orgulho. E aquilo que tento domar em mim todos os dias, se manifesta de outras formas na vida dos outros. O pecado e as manias deles são tão feias quanto as minhas, e aquelas que as vezes eu guardo no meu coraçãozinho, como se fossem de estimação.

Continuo não gostando de bandas coloridas de emo alegre. Continuo achando um absurdo a prostituição e o uso indiscriminado de drogas. Continuo julgando absurdos os gastos das igrejas cristãs com paredes e conforto, enquanto temos 'representantes', morrendo de fome no exterior. Não suporto ver pessoas se dizendo filhos de Deus, e se portando como bastardos. Mas quem sou eu pra julgar? Quem sou eu pra não amar? Quem somos nós pra negar perdão e uma nova chance a qualquer pecador? 

Sinceramente, precisamos parar com os preconceitos. Pessoas são pessoas, precisam de diferentes ensinos, de diferente educação. Rico também merece chance junto com pobre. O homossexual merece o mesmo respeito que um fornicador, e o ladrão politico qualquer que é absolvido por dar um punhado de tijolos pra igrejinha, é tão merecedor do inferno quanto o estuprador. 

Não existe diferença de pecado. Só existe diferença de consequência. Pense nisso.

Paz,
J.Caetano Jr.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Diário de Bordo#6: Tatuagens



Tive um sonho maluco. Acho que comi demais antes de dormir ou algo parecido...  Mas vi que todas as pessoas que passavam por mim tinham tatuagens. Algumas eram tatuagens suaves e bonitas de se ver; mas outras eram sombrias, e pareciam macular a pele mais do que tudo, não eram mais adornos para o corpo e sim sujeira, transformavam as pessoas que a usavam.

O mais louco neste sonho, é que as tatuagens surgiam espontaneamente à medida que as pessoas conviviam com as outras.  Até eu tinha tatuagens! As asas negras nas costas e um escorpião sinistro no braço são as únicas que me lembro.

Mas uma coisa me incomodou. Vi um homem crucificado, com uma coroa de espinhos. Seu corpo era marcado de chicotadas e estava ensangüentado. Ele era o mais tatuado de todos os homens. Haviam muitos desenhos de adoração no seu corpo, traços bem feitos de renuncia e louvor, contrastavam com as tatuagens mal feitas de prisão. Estas retratavam as traições e todas as dores que sofrera.

Acordei no dia seguinte pensando, como se tornara feio o meu Cristo. Verdade veio até mim conversando. Contei-lhe meu sonho, e então ele me respondeu:

- As tatuagens representam as marcas que recebemos na vida. As atitudes das pessoas com quem convivemos. Em vida, podemos marcar as pessoas com boas atitudes ou traições, com consolo ou bajulações, podemos ser insignificantes para elas, ser bênção ou motivo de tropeço. E quanto ao Cristo... Completou:

- Ele não é feio. Ele simplesmente tomou sobre si todas essas marcas, e se tornou manchado com as marcas permanentes da maldade humana para que pudesse conhecer as dores e justificar aqueles que confiam nEle.
Fiz silêncio, e pensei: “Acho que já vivi o bastante para marcar muita gente. Como será que as marquei?”.

“Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.”
[Hb.12:3]


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
J.Caetano Jr.
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