terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre: Órbitas, mentalidade, focos e objetivos


Pretendo falar um pouco desse assunto de maneira mais simples possível, como um leigo. Utilizando os temas científicos e históricos apenas como exemplos e ilustração, ignorando (por ignorância) até algumas das leis que regem a complexidade de nosso universo físico.

Todos sabemos que o nosso mundo passou por um período chamado de “idade das trevas”, ou era medieval. E infelizmente a religião dita cristã, teve culpa nos massacres cometidos aos que ousavam obter conhecimento, afrontando às superstições e o misticismo da época; estes que ousavam dizer que a terra não era o centro do universo, ou que a mesma era redonda e girava em torno do sol; foram mortos e perseguidos por “afrontar a Deus” com sua ciência maluca. Por medo sem sentido, falta de fé e conhecimento, fizeram isso, os que se diziam cristãos; pois o desenvolvimento da ciência e o conhecimento obtido acerca do universo e de suas leis, tem somente mostrado quão complexa e grandiosa é a criação de Deus.

O desenvolvimento das ciências, o Renascimento e o próprio Iluminismo trouxeram consigo a abertura do conhecimento a todos, tendo influenciado até a reforma protestante. Contudo com esses movimentos culturais e filosóficos, o já conhecido egocentrismo tirou a fé da jogada (teoricamente), e o Teocentrismo cego imposto pela igreja e pelas tradições, foi substituído por um Antropocentrismo também imposto, e que enxerga muito mal.

Tomando como base esse Anthropos VS. Theos, percebemos que há uma tendência, não só ideológica, mas também pessoal, de se ter algo como centro, alvo de exaltação ou apologia; uma razão para existência, causa pra se viver ou morrer.


Fisicamente pode-se ver também, uma tendência natural de se ter foco ou centro em um objeto de maior magnitude, massa, densidade e que exerce atração sobre aquele que é atraído. Entendemos pela Lei da Gravitação Universal, que existe uma força fundamental de atração, que age nos corpos de acordo com suas massas e quantidade de matéria, unindo objetos e fazendo-os permanecerem em órbitas. "O planeta em órbita em torno do Sol descreve uma elipse em que o Sol ocupa um dos focos "[Primeira Lei de Kepler].    

Da mesma forma há uma tendência de se ter a mentalidade transformada e atraída por corpos (ideais reais), que estão em foco, ou seja, que se dá atenção a ponto de se ter a vida girando em torno deles, numa orbita composta por fatos e objetivos. Então, se entende que a partir do momento que alguém vive em função de algo, ou de outro alguém, nisso se faz presente uma relação de senhorio e servidão, “... Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo." (II Pedro 2: 19). Essa relação pode se dar de maneira direta e consciente, ou não, mas sempre é estabelecida uma relação de dependência entre a pessoa e aquilo em que ela tem foco.

Com isso vemos então que quando Deus diz: "Não terás outros deuses diante de mim." (Êxodo 20: 3), e "Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças." (Deuteronômio 6: 5), significa dizer que, tendo qualquer outra coisa como principal objetivo de existência; seja pessoa, objeto ou a si mesmo; consiste em uma forma de idolatria. É como rebaixar Deus a um plano secundário, permitindo-se ser irresistivelmente atraído e iluminado por outros “astros” de menor magnitude; focado em alguma coisinha sem importância, numa órbita errada e sem futuro, de um objeto sem estabilidade e com infinitas possibilidades de colisão interplanetária. Não podemos servir a dois senhores. Não podemos estar em duas órbitas. Cristo já realizou o impossível para que tivéssemos liberdade de estar em segurança sob a infinita, soberana e sublime atração de sua Glória [ler Colossenses 1: 19-22].

Estrela Antares - Alpha Scorpii 
Portanto, pegue todos os pensamentos e planos que excluem o Soberano e leve para a reciclagem, permita ter a mentalidade transformada e iluminada pela mente de Cristo, tome a servidão de um jugo verdadeiramente suave e leve cujo final é vida. E não permita de forma alguma que sua vida circule em torno de coisas sem futuro, mas que todas as atividades sejam para a glória de Deus, nunca visando à própria glória, e assim, tudo mais será acrescentado, e desta forma os relacionamentos ou conquistas serão saudáveis. Tenha foco, abra mão e se esforce por imitar e estar na órbita do gracioso salvador.

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. ”(Colossenses 1: 16, 17)


Paz,
J. Caetano Jr.

   


terça-feira, 19 de julho de 2011

Os incomparáveis sofrimentos

Uma oração

Pai, o que podemos dizer? Sentimo-nos totalmente indignos diante dos sofrimentos indescritíveis de Cristo. Lamentamos muito. Foi por nosso pecado que ele sofreu. Fomos nós que o espancamos, cuspimos nele e o ridicularizamos. Pai, nós te pedimos perdão. Curvamo-nos até o chão, e silenciamos a boca da nossa alma insignificante, perversa, mesquinha, pecaminosa. Pai, renova-nos a fé para que possamos acreditar no inacreditável. Acreditar que o sofrimento de Cristo é a nossa salvação. Abre nosso coração medroso para aceitarmos o evangelho. Desperta as partes adormecidas de nosso coração, incapazes de sentir aquilo que deve ser sentido – que somos amados com o amor mais profundo, mais forte e mais puro do universo. Concede-nos a graça de compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo que excede todo o entendimento, e que possamos ser abastecidos com toda a plenitude de Deus. Luta por nós ó Deus, para que não nos tornemos insensíveis, cegos e tolos a ponto de nos deixar levar por filosofias vãs e fúteis. A vida é curta demais, preciosa demais, dolorosa demais para ser desperdiçada como se fosse uma efêmera bolha de sabão. O céu e grande demais, o inferno é horrível demais, e a eternidade é infinita para permanecermos na indecisão. Ó Deus, abre nossos olhos para a vastidão dos sofrimentos de Cristo e o que eles significam para o pecado, a santidade, a esperança e o céu. Não queremos ter a tendência de nos preocupar com banalidades. Torna-nos mais conscientes da importância da glória – a glória dos sofrimentos incomparáveis de Cristo. Em seu nome excelso e maravilhoso, oramos. Amém.

 






Um homem chamado Jesus Cristo – John Piper
Editora Vida - Cap.8  Pg.66 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sobre: Esperança

Tenho sentido necessidade de falar sobre esperança há algum tempo. Mas para um pessimista, falar de esperança é uma das coisas mais difíceis que existem. Contudo, o Deus que eu creio, é um Deus que até aos desacreditados e desesperados dá esperança, quanto mais aos pessimistas. 


Juntando todo o conhecimento superficial que se tem a respeito de esperança, eu e alguns pensadores livres podemos concluir que esperança é esperar algo com confiança, ainda que sem provas, sem abandonar a perseverança.

É comum ouvirmos pessoas afirmando “esse mundo não tem mais esperanças”, "essa pessoa não tem mais jeito" ou coisas do tipo, e é o que realmente acontece. Não que não haja solução para as misérias do mundo, mas as esperanças, assim como a fé são mal direcionadas.


Esperar que o mundo seja transformado de uma hora pra outra em um paraíso, é pura tolice. Que algum sistema de governo implantado, ou economia, mude radicalmente as vidas das pessoas, fazendo-as felizes e realizadas é maior tolice ainda. Pode-se claramente ter esperança numa mudança de vida, em uma melhoria, ou quem sabe em um aumento de salário. Mas quando se trata de solução para o mundo, fim da violência, recuperação da essência do que somos, e salvação da própria alma; vemo-nos impotentes, e sozinhos tememos. Existe em nós uma plena consciência de que estamos caminhando para algo além da morte. E que de se existe um Deus criador, bom e perfeito, de forma alguma conseguimos agradá-lo, pois sentimos sua ira pesar sobre nós, e claramente seremos condenados por nossos constantes delitos. E como diziam os homens de Judá nos tempos de Jeremias, ainda se diz: Não há esperança, porque andaremos segundo as nossas imaginações; e cada um fará segundo o propósito do seu mau coração.” (Jer. 18: 12)

Para os antigos esses pensamentos também eram a realidade apresentada, a solução e esperança conhecida era a lei, e a maior expectativa de certo povo era a vinda de um messias libertador, o cumprimento da promessa, um Cristo que guerreasse por eles e mudasse a estrutura do mundo estabelecendo o reino de Deus. Ele veio, mudou estruturas, libertou a muitos e iniciou o reino dos céus de forma visível. Ele iniciou uma revolução ideológica em todo o mundo, e o mais incrível, mais do que ideologicamente, ele ofereceu transformação espiritual, e deu esperança de salvação aos que sempre sentiram necessidade.

“... Cristo em vós, esperança da glória;” (Col.1: 27) “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hb4: 16), “(Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus.” (Hb7: 19). Cristo foi, e ainda é a única esperança para homens miseráveis e desesperançados se chegarem a Deus.

A esperança não é algo que leva as pessoas a crerem em uma solução para algo, mas sim um produto da fé unida à perseverança. No ponto de vista individual e pessoal, podemos dizer que esperança é algo que nos acompanhará pro resto da vida, se tivermos ao menos um pouco de fé de que as promessas de Deus são perfeitas (falo promessas no ponto de vista geral, não individual), e se cumprirão. Pois a maior promessa que existe é aquela que Jesus fez em Jo.14:3 “virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”

Um cara que soube exemplificar muitíssimo bem essa questão de esperança e fé foi John Bunyan. Na prisão, por pregar o evangelho, sendo um leigo, ele escreveu sua grande obra “O Peregrino”. Em determinada parte o protagonista, Cristão, passa por uma cidade com seu companheiro, chamado Fiel, e lá, na Feira das Vaidades eles são acusados de perturbar a paz dos cidadãos com doutrinas estranhas. E assim são levados a juízo e presos (injustamente). Fiel é queimado vivo enquanto Cristão permanece no cárcere, daí, um jovem da cidade, auxilia Cristão na fuga e se une a ele pelo resto da jornada. Seu nome é Esperança. Durante a caminhada, rumo à cidade celestial, os dois resolvem ir por um caminho aparentemente mais fácil e acabam sendo capturados pelo gigante Desespero, e aprisionados no Castelo da Dúvida. Então eles passam pela seguinte situação:  

“...E acompanhou-os até à porta do cárcere, dando-lhes muitos açoites. Ali permaneceram tristes todo o dia de sábado, em circunstâncias tão lamentáveis como anteriormente.
Chegada a noite, tornou o gigante a conversar com sua esposa (Desconfiança) acerca dos peregrinos, estranhando que nem os açoites nem os conselhos pudessem dar cabo deles. - Receio, disse a mulher, que nutram a esperança de que venha alguém libertá-los, ou que tenham conseguido alguma chave falsa, por meio da qual esperam evadir-se. Eu amanhã os revistarei, volveu o gigante.

Era perto da meia-noite de sábado quando os nossos peregrinos começaram a orar, continuando ambos em oração até quase ao romper da alvorada.
Momentos antes de amanhecer, rompeu Cristão nestas fervorosas palavras, como se estivesse espavorido: Que louco e que néscio eu sou em estar aqui neste calabouço, quando podia estar gozando a liberdade! Tenho no peito uma chave chamada Promessa que, estou persuadido, poderá abrir todas as fechaduras do castelo da Dúvida. – Sim! Exclamou Esperança: Que boas notícias me dás, irmão; tira pois a chave do teu seio e experimentemos.

Cristão tirou a chave e aplicou à porta da prisão. Instantes depois a fechadura cedia, e a porta abria-se de par em par, com a maior facilidade. Cristão e Esperança saíram.
Chegaram à porta exterior que dava para o pátio do castelo, a qual cedeu com a mesma facilidade...”

Sendo assim, temos pelas escrituras promessas, que nos enchem de esperança, algo que não nos traz confusão, antes confiança, e fé de que seremos libertos da nossa própria corrupção. E pela graça de Cristo, alcançaremos o objetivo para o qual fomos criados, a glória de Deus. Portanto independente do que somos hoje, temos esperança de que o amor e sacrifício de Cristo são suficientes para transformar, e salvar até o pior dos pecadores. 

Sei que as minhas palavras não são suficientes para explicar a esperança que brota de um coração de pedra, mas essa esperança é apenas fruto de uma fé que não se apoia em si mesmo. Vamos ficar com as palavras do apóstolo Paulo: "Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo." (Romanos 15: 13).


Obs.: Recomendo que se leia a carta aos Romanos, e algum dia se sentir vontade, “O Peregrino” de John Bunyan.


Paz,
J. Caetano Jr.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sobre: Deus, pão, cebolas e bezerros

A bíblia está cheia de histórias e exemplos de fatos úteis, que acabam seguindo em paralelo com outras histórias. Seja na própria bíblia ou no cotidiano. Esses paralelos não são mera repetição, mas sim exemplos de aplicação da palavra viva.

Existem duas histórias bíblicas que podem ser colocadas paralelas, e se assemelham em muitos pontos, no ponto de vista do que será observado aqui. Uma se passa no êxodo, com Moisés, e outra no evangelho de João, com Jesus, Pedro e os discípulos. Em ambas as histórias, vemos Deus entregando e propondo aliança com o povo, uma proposta de ser seu Deus, seu sustento e vida, objetivo e principal aspiração. 

No primeiro caso, vemos que enquanto o Senhor fala com Moisés, entregando-lhe as leis, o povo esquece-se de seu compromisso, volta-se contra Deus, e fazendo um bezerro de ouro para adorar (Êxodo 32:1-10). Mais a frente o mesmo povo despreza o Deus que os prometeu sustento e realizou grades maravilhas, livrando-os da escravidão, e o põe a prova (Êxodo17), duvidando dEle por várias vezes, reclamando pela falta de água e de pão, desejando carne (Êxodo 16:1-12) e sentindo saudades das cebolas do Egito(Núneros 11:15). Em contraste com o egocentrismo e vaidade do povo, vemos Moisés, pedindo a Deus uma só coisa: “Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo... Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui...” Como quem não quer nada, Moisés se achega a Deus, desejando sua presença, se importando com o caminho da vontade de Deus, até que declara abertamente: “...Rogo-te que me mostres a tua glória.” Suplicando e ansiando pela presença do Eterno, as necessidades e bênçãos passam a ser só um detalhe da caminhada. Moisés acabava de se declarar, era a Deus que ele queria e não as cebolas.

No segundo caso, vemos Jesus fazer o sinal da multiplicação dos pães (João 6), e ser aclamado como  o profeta (João 6:14), o queridinho das multidões da época, e “o cara” dos milagres. Sua popularidade cresceu, e com a mesma velocidade que caiu ao fazer o discurso sobre o verdadeiro pão, sobre seu corpo e sangue: “na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes... Eu sou o pão da vida... Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele... O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” Enquanto o povo e alguns de seus discípulos se retiravam tristes e pesarosos pelas palavras duras de Jesus. Ele irou-se. A cena do êxodo se repetia. “Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?” Mas ouvindo isso, o mesmo sentimento de Moisés fez Pedro afirmar: “... Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.”


Moisés e Pedro estavam entre o pão e Deus, e desejaram a Deus. Mais do que as bênçãos ou as necessidades que tinham, eles sabiam que no fundo de seu ser nada disso poderia se comparar com a o simples contemplar da glória de Deus ou com as palavras e ensinamentos do mestre.
Eles, assim como tantos outros homens, entenderam o significado de sua existência. Não é apenas “como me sinto” que realmente importa, mas sim, fazer a vontade daquele que me criou. Não só por fazer, mas por entender, que a vontade dEle é boa, perfeita e agradável. Por entender que a vontade dEle é nos ter por perto e nos fazer semelhantes a Ele, ainda que algumas coisas pareçam difíceis ou contrariem nossa vontade.

Mas a grande recompensa é o conhecimento de sua glória, nossa origem, nosso alvo, o que nos move.  
A glória de Deus, da qual estamos ausentes, enquanto vivemos nesse tabernáculo terreno (2Cor. 5:6), foi revelada em Cristo, a imagem de Deus pai, e hoje, se revela pelo Espírito Santo, o penhor da Salvação, nos aperfeiçoando à sua imagem. E por essa glória devemos ansiar com todas as forças. Não é só uma questão de objetivos e de sentimentos, é uma questão de amar a Deus. Cumprir o primeiro grande mandamento não se realiza por meio de esforços. Os grandes heróis da fé não se esforçavam para amar a Deus, eles simplesmente amavam a Deus, e compreendiam que a coisa mais importante do momento era Ele. Apesar de tantas falhas e pecados, eles não se intimidavam, pois sua aspiração era Deus.

Como a mulher pecadora que lavou os pés de Jesus com lágrimas (Lc.7), e o salmista decepcionado do Salmo73, que afirmou categoricamente: “... a minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.” Ou o ex-fariseu, perseguidor da igreja, que disse: “Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo,...(Fp.3: 5-8)”


Amar a Deus é a chave que tem por evidência a autonegação. O ato de tomar a cruz e segui-lo deixa de ser tão doloroso quando se vê mais a frente, sua glória. Tomar sobre si a sua vergonha, e ir ao calvário se fazendo maldição é o prazer daqueles que almejam a excelência do conhecimento de Cristo. Almejemos sua glória, desejemos ardentemente sua majestade, e que as evidências do amor por Cristo, se materializem em cruz, na vida todos nós.






Obs.: Leiam os versículos citados ao longo do texto, é sempre bom conferir.



Paz,
J.Caetano Jr
  



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desabafo


Existem pensamentos que martelam na cabeça durante tempos na sua vida. Daí, paramos pra conversar com um amigo, e percebemos, como muita gente também pensa parecido, ou pelo menos enfrenta os mesmos conflitos. Não estruturei nada, não gosto de escrever assim. Mas peguei um papel e escrevi. Pensamentos soltos, medos, conflitos, sentimentos, minha esperança e confiança.

Acumulo besteira, muita besteira. Consigo falar besteira, pensar asneira, escrever o que não quero, e não agir como quero.

É incrível como essa máquina de sentimentos, sensações, reações e equações orgânicas. Consegue ser complexamente volúvel e estúpida.

Não entendo de sentimentos. Como um rato de laboratório que não entende a seringa que o perfura, sempre injetando substâncias diferentes, causando reações diferentes. E sei que os sentimentos também não me entendem. Não sei porquê essas coisas são necessárias, mas isso é o que me faz humano.

Pensamentos profundos? Alguém já pensou a mesma coisa. O novo não existe. A novidade é uma mera repetição com roupagem diferente. Conflitos? Se nunca teve, não é gente.

Mas sinceramente, eu consigo entender uma coisa. Olhando toda a complexidade e perfeição visivelmente bagunçada. Somos perfeitos arquivos corrompidos. A obra das mãos perfeitas, bagunçadas pelo ego, induzidos a se sentirem deuses, pela malandragem de Morgoth*, Satanás.  Corrompidas. A queda da criação. Por isso ela hoje geme! Contorce-se em dores. Reclama todo dia, põe a culpa de sua agonia nos outros.

"Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?"(Romanos 7: 24)

Fugazes, torpes, ébrios, tolos, egoístas, cheios de vazio. Uma obra que tenta tornar-se independente, ou se restaurar sem conhecer o projeto original. É absolutamente impossível!
Liberdade? Nós nos fizemos escravos do próprio sistema. Até que Ele nos liberte desse tabernáculo terreno**. O primeiro passo já foi dado, e não foi nosso. Ele se propôs a consertar a obra que se quebrou, e disse que tudo vai mudar. Um dia.

Loucura? Loucura mesmo é acreditar que toda a beleza da complexidade, natureza, DNA, informação e inteligência, vieram do nada e terminarão em nada.

O esboço de um desenho é complicado, feio e defeituoso. Não para o desenhista. O esboço há de ser aperfeiçoado, e “... aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”(Filipenses 1:6)

Nós recebemos salvação por meio da graça, não por obras. Somos aperfeiçoados por fé, não por esforços. Temos esperança e fé, que somente Cristo nos pode remodelar ao projeto original. Sabemos disso por meio das escrituras. Somente para glória de Deus.

Algo que me consola, é que a agonia da criação há de terminar. Mas não somente isso. O que me consola, é que sentir o peso do pecado, do conflito, da guerra interna, tipo Hulk e Bruce Banner disputando o mesmo espaço, é na realidade a fronteira entre a degeneração e a regeneração. É o reconhecimento do erro. A busca pela mudança.

É o caminho da santificação. Basta continuar firme na esperança na fé e no amor. Que Cristo guie nossos passos. E a todos que desejam seguir a vereda dolorosa da cruz.
“Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.”(1Corintios13:10)


*Personagem fictício criado por J.R.R.Tolkien - O Senhor dos Anéis. Significa “O Sinistro Inimigo do Mundo”. Obs. Satanás não é fictício.
**Referência a 2°Corintios5:2


Paz,
J.Caetano Jr.
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