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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Diário de Bordo#10: Nos meus jardins

Tenho visto muitas edificações inacabadas. Tenho visto muitas coisas frustrantes. Como diria Brennan Manning: "Derrotas gloriosas e vitórias desastrosas." Mas nenhum pensamento que por acaso venha tornar o meu dia melhor.

Enquanto dou umas voltas atemporais nos canteiros e jardins da minha existência, consigo contemplar tantas construções incompletas e deterioradas que chego a pensar que o caos e o acaso são seus engenheiros. Passeio por monturos de castelos de areia que o vento derrubou, por relacionamentos regularmente instáveis e pela metade. Por planos de mudança de vida para um novo ano que não passaram da primeira fileira de tijolos. Projetos de preparação e estudo para um futuro melhor que nunca saíram do papel. Algumas torres de talentos não lapidados, tão mal-acabados e sem reboco que desmerecem o potencial e altura que têm. Passo pelos sonhos tão brilhantes e solitários, rascunhados com esmero e desejo, mas que incompreendidos recebem pedradas, chutes e escarros. Tornar-se-iam monumentais ou simplesmente preciosos aos olhos do projetista. Mas a variável tempo é cruel e todo trabalho resulta de uma relação com o esforço bem direcionado.

Até quando meus jardins serão ruínas do presente? Pois dentre tantas obras inacabadas, achei uma singularmente construída, empoeirada por constantes mudanças. Edificada num alicerce diferente, sobre uma rocha desconhecida. Um altar que embora incompleto não fora abandonado. 

É bom ter esperança de que alguma construção não depende de mãos tão desastrosas e sem perícia quanto as minhas. É bom saber que todo o resto do meu jardim ainda pode ser edificado sobre esta mesma rocha desconhecida.

"Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR.
Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?"
[Jeremias 17:7-9]


terça feira, 11 de dezembro de 2012
J. Caetano Jr.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Diário de Bordo#9: Comigo mesmo


De um canto oculto da cela abafada sai uma figura magra e esquisita, porém familiar. Encostando-se no banco ele diz secamente:

-Oi

-Quem é você?

Respondi.

-Eu? Como você me diz ‘você’, se só você está aqui?

-Sim. Mas a não ser que eu esteja delirando, você está aqui. Quem é você e como entrou aqui?

O estranho pega um cigarro e acende. Suas mãos são finas e tremem. Suas articulações parecem dobradiças mecânicas do corpo. E um sobretudo se ergue até sua nuca, escondendo o pescoço, provavelmente tão fino quando o rosto. Ele é esquelético e a voz treme quando fala.

-Olhe para mim, você me conhece muito bem, evidentemente que me conhece tanto quanto conhece a si mesmo. Na mesma intensidade, na mesma direção no mesmo sentido.

-De fato, você não me é estranho, mas não somos íntimos!

-Não somos íntimos? Só me faltava essa!(gargalhadas).

No íntimo eu senti um calafrio. Ele não se parece um louco, nem eu estou.
Ele se aproxima de mim, joga o cigarro no chão. Seu hálito é um misto de álcool e nicotina. Ele olha no fundo dos meus olhos e eu me vejo olhando pra mim.

-Por favor, não seja hipócrita. Não minta para si. Ou devo dizer, “para mim”? Olhe bem no fundo dos meus olhos negros e diga que não me conhece! Olhe para o meu cabelo, minhas mãos e minha roupa e diga que não sabe quem sou eu! Perceba a minha capacidade de vício. Note como tudo isso faz parte de você.  A inquietação, a hiperatividade, ansiedade e diga que isso não faz parte de seu caráter. Olhe a revolta na minha boca seca, a rebelião e a insatisfação em ser você mesmo e tente me dizer que nunca sentiu isso. Poupe-me do seu medo em assumir seus erros, assuma que você é tudo isso que você vive combatendo. Reconheça que eu sou você!

Fui tomado pelo silencio. Até sentir respostas fluírem livremente da minha boca.

-Talvez, você seja eu. Mas eu não sou você. Não hoje. Não mais. Tudo em mim se fez novo ainda que eu tenha toda essa capacidade de rebelião. Revoltar-se não pertence mais a mim. Não confio no que posso fazer, mas sim no que um dia foi feito por mim.

-Não chore garotinho. Ainda que você tente se esconder por trás dessa roupa de refugiado coitadinho. Suas atitudes revelam quem você é. Você teme assumir sua total rebelião contra a vida alienando-se na fé. Eu consigo sentir o medo em você. Estar aqui sozinho comigo nessa cela não te faz bem.

-Já me acostumei. Não se preocupe. O que não me faz bem é o mofo dessa parede. Se eu sou você, já aprendi a te amar. Apesar de tudo.

O amor não parece afetar muito bem o intimo conhecido. Em lugar de quebrantamento, ele parece revoltado, como quem não sabe ser amado. Como um escorpião, que por natureza despreza o socorro. Como um bicho, sua reação é violenta. Ele me encara e grita.

-Você não vai usar essa capa durante muito tempo. Seu auto-sacrifício é também uma extensão de seu egoísmo. Pegue meus vícios, minha revolta, seus medos e covardias. Nossas desconfianças e incredulidades. Coloque tudo num liquidificador com um pouco de nitroglicerina e você vai ver que somos a mesma coisa. Basta apertar um botão. Somos um mistura explosiva. Uma hora ou outra eu vou aparecer novamente. E você vai gostar. Você precisa de mim.

-Meu auto-sacrificio não é movido por egoísmo. Não tenho sido mudado por meio de tradições. Minha nova jornada e meu novo alvo não são coisas que se podem ver, nem muito menos busco aprovações de homens. Senão não estaria preso. O que faço é por amor ao conhecimento daquele que me libertou. E essa marca que eu carrego na mão foi coberta por outro selo, fui selado pela liberdade.

-E seu “amor” (ironicamente) é uma coisa interessantemente limitada... Ele só funciona até você falhar.

-Ora, cale-se! “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados... E Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.”*

O esquisito se afasta, recua e se esconde em sombras. Não o vejo, mas ele permanece lá.

Estou só na cela. Novamente. Comigo mesmo. E começo a entender coisas que mudaram minha percepção da vida. Ele nos amou primeiro. Se eu compreender e aceitar isso, há esperança.


*1Jo 4:19

12 de julho de 2012
J.Caetano Jr.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Diário de bordo#8: Respirar


Não dava pra dormir naquela noite. Duas sensações circundavam a atmosfera. Uma alienação semelhante a embriaguez que dissipa algumas preocupações hereditárias, e uma adrenalina que intensificava o sentimento de dor. Dor de não se sabe o que. Dor que não se entende o porquê. Dor de um tipo que não se define como dor.

As trevas eram vivas e assumiam formas medonhas e demoníacas. Eram paredes que impediam o caminhar, eram abismos plantados como armadilhas, eram fantasmas alados que se moviam na velocidade do pensamento. Abocanhavam o que restava da pequena luz sobrevivente, ostentada no antro de maldição. As trevas então, se faziam cordas sólidas, amarrando e rasgando os membros de quem ansiava a liberdade.

Questionava se a liberdade havia se esquecido de ser livre. Questionava-se. Questionava, lamentava, repensava, recuava. Nem mesmo o fogo do inferno queimando aos seus pés o faria levantar vôo com aquelas asas de aço. Asas de ferro quente cravadas nas costas. Correntes com blocos de concreto amarrados aos pés. Uivos de lobo, cânticos de fracasso à não liberdade. Cantaria silenciosamente um tributo ao próprio funeral, se não fossem as trevas, que coladas nos lábios como um esparadrapo dificultavam até a respiração.

Derrotado. Era assim que eu me sentia. O tempo não parecia tempo, era somente um momento, algo tão indefinível quanto o próprio tempo. Nada avançava, nem recuava. Somente a estagnação era aparente.

De repente as trevas recuaram. Como num impulso vivo, as trevas foram quebradas e feitas em partículas por uma luz mais densa. As asas da vaidade continuavam a afundar-me. Eu não conseguia me mover. Tentei fugir quando o vi, vindo em minha direção, mas não consegui fugir. Ele também me atraia como um imã. Seus pés eram reluzentes e sua luz esclarecia todo o entendimento. De sua boca, saía uma espada cortante de dois gumes. Sua palavra penetrou meu ser, dividindo juntas e medulas, sob a pele, senti como se seu olhar conhecesse todos os meus pensamentos. Só então percebi que ele trazia em uma mão uma lista sem fim, uma cédula de condenação para todos os meus pecados. E na outra mão um martelo simples com alguns cravos.

Pensei por certo que pregaria a lista em mim, como uma sentença de execução. Passou por mim vitorioso, e chegando ao lado de uma cruz, martelou com a força do universo. E tendo cravado na cruz os escritos de dívida*, selou-os com sangue: “Está consumado”.

Seu olhar me inspirava a levantar. As asas caíram. As trevas fugiam. O rei andava vitorioso, arrastando pelas ruas os adversários. Triunfante. Tomando um rumo eterno ele exclamou com voz de trovão que abalava toda a Terra: “Vem e me segue!”. Eu parecia renovado, sentia uma força que poderia me fazer voar com asas de águias**. Então eu acordei. Sorrindo. Grato. Preparado para lutar.

*Colossenses 2:14
**Isaias 40:31

J.Caetano Jr.

domingo, 15 de abril de 2012

Diário de Bordo#7: O que se pode ver

Elevo os meus olhos para os edifícios, de onde me viria o socorro? Dos becos sombrios da cidade, ou das ruas poluídas onde mal se pode respirar? Dos anúncios de consumo, dos entretenimentos ou das recreações baratas?

Me pergunto entretanto se o conhecimento, a ciência ou o racionalismo poderiam, de fato, alterar o rumo da realidade.

O sistema tosse, tem crises epiléticas, a criação geme. Que governo, poder ou milagre seria capaz de devolver-me a esperança? Mais me parece que todos os homens sofrem os mesmos males. Alguns menos, outros mais. Mas nunca se satisfazem, sempre se teme algo, sempre se anseia algo, sempre... A cada momento se sofre. Tem alguma coisa muito errada com a humanidade. É fato. Lembrei-me de um escrito:

"DEPOIS voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis que vi as lágrimas dos que foram oprimidos e dos que não têm consolador, e a força estava do lado dos seus opressores; mas eles não tinham consolador.

Por isso eu louvei os que já morreram, mais do que os que vivem ainda.

E melhor que uns e outros é aquele que ainda não é; que não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.

Também vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de espírito."(Ec.4:1-4)

Novamente, elevo os meus olhos para os montes de concreto, de onde me virá o socorro? "O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará."(Sl.121:1-3)

Reconheço, que tamanho privilégio, acredito numa esperança que não se vê! Pois que o consolador não faz parte do sistema desse mundo, e está além do que me é possível conhecer. Pois uma esperança que se vê, não é esperança.


segunda-feira, 16 de abril de 2012
J.Caetano Jr.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Diário de Bordo#6: Tatuagens



Tive um sonho maluco. Acho que comi demais antes de dormir ou algo parecido...  Mas vi que todas as pessoas que passavam por mim tinham tatuagens. Algumas eram tatuagens suaves e bonitas de se ver; mas outras eram sombrias, e pareciam macular a pele mais do que tudo, não eram mais adornos para o corpo e sim sujeira, transformavam as pessoas que a usavam.

O mais louco neste sonho, é que as tatuagens surgiam espontaneamente à medida que as pessoas conviviam com as outras.  Até eu tinha tatuagens! As asas negras nas costas e um escorpião sinistro no braço são as únicas que me lembro.

Mas uma coisa me incomodou. Vi um homem crucificado, com uma coroa de espinhos. Seu corpo era marcado de chicotadas e estava ensangüentado. Ele era o mais tatuado de todos os homens. Haviam muitos desenhos de adoração no seu corpo, traços bem feitos de renuncia e louvor, contrastavam com as tatuagens mal feitas de prisão. Estas retratavam as traições e todas as dores que sofrera.

Acordei no dia seguinte pensando, como se tornara feio o meu Cristo. Verdade veio até mim conversando. Contei-lhe meu sonho, e então ele me respondeu:

- As tatuagens representam as marcas que recebemos na vida. As atitudes das pessoas com quem convivemos. Em vida, podemos marcar as pessoas com boas atitudes ou traições, com consolo ou bajulações, podemos ser insignificantes para elas, ser bênção ou motivo de tropeço. E quanto ao Cristo... Completou:

- Ele não é feio. Ele simplesmente tomou sobre si todas essas marcas, e se tornou manchado com as marcas permanentes da maldade humana para que pudesse conhecer as dores e justificar aqueles que confiam nEle.
Fiz silêncio, e pensei: “Acho que já vivi o bastante para marcar muita gente. Como será que as marquei?”.

“Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.”
[Hb.12:3]


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
J.Caetano Jr.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Diário de Bordo#5: Fortalezas de espelhos

Vi em uma parte da minha jornada, distantes, algumas construções. Mas estas situadas no Monte Orgulho chamavam-me a atenção. Eram construções altas, feitas por homens vazios, que por amarem demais a própria glória, erguiam imponentes fortalezas de espelhos.

De longe se via que as paredes de espelho eram rejuntadas com boas obras e vã confiança. Os espelhos voltados para dentro, refletiam sempre a vaidade desses homens, que se entregando ao pecado, jamais encontravam descanso*.

Moldaram assim, um deus à própria vontade; um deus tão adaptado à sua imagem, que era apenas o seu próprio reflexo distorcido nas paredes.

As paredes tremiam e as muralhas balançavam, pois seus alicerces; feitos de areia queimada e cacos de dogmas eram apenas tradições e teorias que não ofereciam nenhuma segurança ou firmeza. Ainda assim, tranqüilizavam-se, por sua consciência cauterizada; dizendo haver paz e sossego. Olhavam seus tetos luxuosos e meditavam nas emoções que construíram suas belas e quebradiças fortalezas.

E não havendo mais nenhum contato com as eternas e perfeitas noções de construção divina, seus impérios cresciam trôpegos, inconstantes, vazios e instáveis.

Até que um vento forte, anunciado há tempos; que já derrubara torres altivas como Babel, e levara fogo à Sodoma; bateu com ímpeto contra aquele monte Orgulho, sacudindo suas fortalezas e quebrando suas vidraças. E aconteceu que as edificações tão trabalhadas, tornaram-se imensos montes de cacos, e seus moradores foram fatalmente despedaçados por suas navalhas.

A tragédia era vista e conhecida por todos, e o mau cheiro do sangue e dos corpos expostos, eram sinal e alerta aos viajantes que passavam pelo local. Assim, todos sabiam do destino daqueles que amavam a si mesmos se entregando à vaidade e ignoravam seu criador.

*(referencia à Isaias 57: 20,21)

"Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.
Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;
Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.
Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação.”
(Hb.3:12-15)


Quarta feira, 18 de janeiro de 2012
J.Caetano Jr.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Diário de Bordo#4: Encontro com a Culpa

Não foi a primeira vez que a vi. Na verdade ela já parecia bastante familiar, Suas feições sombrias, o jeito de andar. Atraente como sempre, e com o perfil psicológico totalmente encaixado ao meu. Mais que atraente... Ideal a uma mentalidade ébria, dopada de inteligência condenatória, parecia despertar intimamente toda a argumentação que eu possuía contra mim mesmo. Linda. Fatal.

Nunca a havia visto daquela forma. Vestida de acusação e armada com condenação. A aproximação era lenta e por um instante parecia uma amiga, parecia tentar me abraçar.

Chicoteou-me então nas mãos. De maneira que larguei a espada que carregava sempre comigo, cessei minhas obras, reflexões, pensamentos. Cada parte daquele chicote rasgava o epitélio das minhas mãos; penetrava minhas carnes, desnudava minhas idéias, bloqueando reações. Sem ações. Paralisado, eu era seduzido pela Culpa como a mais bela das mulheres.

Estava me condenando novamente, só que desta vez a culpa rasgara meus pulsos. Arrependimento e Sinceridade eram necessários. A Culpa não faria bem a ninguém! Chamaria por esses dois amigos!
Lembrava-me da cruz e do que ela significava pra mim, de todas as feridas que o mestre suportou para que a maldita não me destruísse. Não poderia me deixar seduzir por um inimigo tão sagaz. Fugi cambaleando, deixando minhas vestes em suas mãos. Escondi-me à sombra do cordeiro. Como um sobrevivente, respirei. Ela se foi.

Talvez voltasse a vê-la algum dia. Mas no momento, eu era tomado por outro pensamento. Gratidão ao meu Senhor acima de tudo. Por guerrear por mim; um covarde seduzido pela culpa e amante de mim mesmo.

O que seria de mim, se não fosse o Senhor? A muito tempo meus inimigos teriam me consumido.

“SE não fora o SENHOR, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel;
Então as águas teriam transbordado sobre nós, e a corrente teria passado sobre a nossa alma;
Bendito seja o SENHOR, que não nos deu por presa aos seus dentes.
A nossa alma escapou, como um pássaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapamos.
O nosso socorro está no nome do SENHOR, que fez o céu e a terra.”
(Sl.124:1, 4 - 8)

Quarta feira, 11 de janeiro de 2012
J. Caetano Jr.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Diário de Bordo#3: Espeleo

Numa expedição não agendada, andei curiosamente pelas obscuras cavernas da minha própria mente...


Nunca quis ser Espeleólogo, nem entendo de grutas... Mas alguma coisa me atraiu ao interior dessa gruta em especial. Não sei se alguma familiaridade ou luminosidade reveladora, mas fui levado às entranhas de uma caverna desconhecida e perigosa.


Tudo pareceu tão confuso e escuro durante um tempo. Enquanto o vento das emoções de qualquer acontecimento anormal movimentavam minha atenção, eu permaneci pendurado naquela corda, sem saber o que fazer. Sem querer conhecer de verdade minha própria identidade, e sem querer fugir dela. Decidi enfim! Com certeza encontraria sossego, afinal, quem mais estaria lá dentro, senão eu? Era isso que eu temia. Só não esperava que alguém já houvesse explorado este local desconhecido, nem tampouco que alguém se agradasse daquele abrigo aparentemente desprezível.


Confesso que tremi quando contemplei pela primeira vez como um todo.
 - Que bagunça! Pensei.
 - Realmente uma espelunca... Quantas idéias penduradas feito estalactites. Essas coisas estão quase caindo na minha cabeça!
Mais a frente percebi que muitas das ideologias haviam realmente desabado, naturalmente creio. Contudo tudo estava muito misturado, pedras, sombras, luzes, dores, amores, medos. Temi instantaneamente.
 - Alguém precisa organizar isso aqui antes que eu perca a cabeça!
Senti que na verdade esse organizador de idéias não esteve inteiramente ausente, mas agiu despreocupadamente durante um tempo.
 - Deus...
Disse numa breve oração.
 - Descuidei da minha mente, deixei de guardar meu coração*, e pela sua tendência natural ele ficou bagunçado como está. Ajuda-me a arrumar essa bagunça, quem sabe assim o Senhor se agrada do lugar...

Não obtive resposta direta, mas logo percebi que a caverna era habitada. Alguém havia colocado firmes alicerces e começara a edificar sua morada, o Senhor se agradou dali sem motivo algum, se compadeceu da falta de estrutura e da desorganização. Comprou aquele local para si e iniciou novas obras, uma construção perfeita.

Foi a motivação necessária para continuar a exploração, organizar as idéias e deixar ser edificado sobre esses fundamentos. Não me encontrei lá dentro, nem encontrei a Deus. Somente bagunça e necessidade de conserto. Mas sem a consciência da mudança ninguém tenta mudar né...  Tenho que continuar mexendo nesse lugar, não posso descuidar dele. Quero em breve conhecer aquele que deu valor ao desprezível. Que comprou por um alto preço o que não tinha nenhum valor. E amou a quem nunca mereceu.


"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida."  (Provérbios 4 : 23)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
J. Caetano Jr.

sábado, 29 de outubro de 2011

Diário de Bordo#2: Sozinho


Num cruzamento qualquer, onde o sinal fica vermelho e somos obrigados a fazer uma pausa. Um lampejo de reflexão acontece. Sou levado a pensar, continuamente, devido às muitas pausas nos sinais; e às vezes, me encontro sozinho.

A rua parece simplesmente deserta, o que eu esperava não aconteceu, minhas companhias estão em outros cruzamentos ou rodovias, e até minhas canções fogem da minha mente. Vejo que sou dependente. Sozinho. Dependente de pessoas, e estar só causa um sentimento de impotência, como se tudo o que faço fosse para os outros. Recordo das coisas que sempre digo, e penso: as lições sobre oração e intimidade com Deus... Realmente, elas agora parecem ser somente teoria vazia.

A me ver aqui parado, somente esperando o sinal mudar, vejo que progredi. E em um momento semelhante a Jacó, sei que o que eu quero não é o que somente o que meus olhos vêem, mas a eternidade, a presença do eterno. Preciso lutar com ele enquanto estamos sozinhos, preciso aprender a me retirar pra conversar com ele. Sofro de ansiedade sem cura, ansiedade pela presença dele, sede da água viva.   

O sinal abre, acelero rapidamente. Com um desejo no coração prossigo, esperar não é tão ruim assim, e estar só, parado num canto talvez seja progredir pra eternidade. Para perto do criador, quando estou sozinho, e pareço perder tempo. Na verdade estou com meu criador, caminhando rumo à eternidade.

“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR. Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele.” (Lm. 3: 26 - 28)


Sábado, 29 de outubro de 2011
J.Caetano Jr.

domingo, 23 de outubro de 2011

Diário de Bordo#1: Medo

Sabe, tenho medo. Mesmo. As vezes eu nem entendo como é que isso acontece. Mas é muito fácil pra mim perder o domínio daquilo que penso ter domínio. Mas a verdade é que não existe nada sob o meu domínio, nunca houve nada sob o meu controle. É que as vezes me sinto só. Quando grito na casa grande, na morada que não posso deixar, (pois sou eu mesmo) e só escuto o eco, subitamente sobe-me um frio na espinha; que até mesmo minha fé desfalece. 

Penso: -Onde estão aqueles que estavam comigo agora a pouco?   
Falo alto: -Ei onde estão vocês? 
Grito: - Deus! Onde está o Senhor? Porque os essa morada se torna tão sombria?! Deus?! DEUS!
Imploro: - "Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito. As ânsias do meu coração se têm multiplicado; tira-me dos meus apertos."*

Meu pensamento racional tenta tomar a frente como se ele mesmo fosse um professor. O raciocínio lógico me afronta, como se ele mesmo fosse um boxeador. Dai contesto e ponho a prova tudo aquilo que eu sempre valorizei, aquilo que sempre busquei e apliquei meus esforços. Todos parecem se voltar contra mim, até mesmo meus íntimos. Observo que tudo aquilo que me cerca é apenas um conjunto experiencias sensoriais sem sentido algum. Tudo parece realmente bagunçado. Como se alguém realmente se importasse com alguma dor! Como se ser racional e lógico sarasse alguma dor! As minhas tentativas de esclarecer fatos, acabam obscurecendo e confundindo mais ainda meus pensamentos.

Caminho meio apressado e cambaleante pelas estradas das minhas dúvidas. Vejo um objeto meu, descuidado, meio empoeirado. No chão, largado. 
- Meu escudo?! Minha fé? O que ela faz aqui nesse lugar? Como perdi ela desse jeito? Como larguei tão relaxadamente a confiança naquele que já fez tanto por mim, me protegendo de tantos perigos?!
Minhas mãos seguram trêmulas o escudo da minha fé. Sem forças consigo ergue-lo vagarosamente, colocando-o nas costas. Já não faço mais força; é como se ele mesmo estivesse me conduzindo. Me carregando 
Ainda dói, mas sei que não estou só, Ele está comigo me progetendo. 

*Salmo 25:16,17

http://olhares.uol.com.br/escudo_medieval_foto274709.html
domingo, 23 de outubro de 2011
J.Caetano Jr.
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