Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Do tatame para a vida

Coisas que aprendi no Jiu-Jitsu:

Apesar de ainda existir muito preconceito em torno do esporte, a marginalização cultural que o Jiu Jitsu sofreu em certa época, não ofuscou completamente a essência da filosofia oriental de suas origens. 

Sou praticante da arte suave a alguns anos, pouco tempo comparado aos mais graduados. Mas esse pouco tempo têm sido uma época de aprendizado muito intenso para mim. Gostaria de listar algumas coisas que aprendi desde que comecei a treinar.

1-Não existe super-homem/mulher: A força não é o principal. Não existe ninguém invencível. Os mais inteligentes e técnicos podem simplesmente vencer os mais fortes. Pensar antes de agir é de extrema importância. É necessário desenvolver paciência sob pressão {OSS}.

2-Seja duro: Não aceite uma posição de desvantagem, nem para descansar. Se você está desconfortável, lute para sair da posição desconfortável. Não aceite que lhe imponham o que querem. Na luta e na vida existe um jogo de poder, dominação. Quem consegue impor o ritmo leva vantagem, portanto imponha seu ritmo. Corra atrás do que você quer É o seu sonho. São suas metas. Você é o único que pode realizar.

3-Seja flexível: As vezes não vale a pena insistir numa técnica que não funciona, nem sempre adianta tentar impor o jogo "na tora". Ou como diriam os mais velhos: "ceder para vencer". Quando necessário, ceda e deixe que o oponente use a força. Em algumas situações precisamos envergar para não quebrar.

4-Conheça a si mesmo: Sun Tzu disse: "Conheces teu inimigo e conhece-te a ti mesmo; se tiveres cem combates a travar, cem vezes serás vitorioso." O autoconhecimento, tanto do corpo quanto do psicológico são fatores importantes para conseguir sucesso em qualquer atividade. Aquele que não conhece os próprios limites pode excedê-los quando não precisa. E muitas vezes deixa de se superar quando necessário. Conheça a si mesmo. Conserve-se. Supere-se.

5-Hierarquia é necessária: No jiu-jitsu esportivo, nem sempre a graduação significa um nível técnico superior. Mas muitas vezes significa maior experiência e vivência em determinada área. A hierarquia deve ser respeitada. Dentro e fora do tatame. Como já foi dito, precisamos nos submeter aos outros.  É ceder para vencer. E aprender com os mais sábios.

6-Vá até o fim: Se pegou no arado. Não olhe para trás. A passagem bíblica diz tudo o que precisamos saber. Não adianta recuar quando se começou a construção de algo importante. Aquele que se arrisca e falha tem mais sucesso do que o que nunca falhou sem jamais tentar. A vida também é uma luta. Vá até o fim.

7-A dor existe: Nem tudo são flores. Nem tudo é sucesso. As lesões vêm, a dor vem. E a falta de estímulo também. Uma vez ouvi num vídeo motivacional: "você está com dor? Tire uma recompensa da sua dor". O sofrimento nunca foi motivo de recuar. Se quisermos chegar em algum lugar, ainda que machucados, precisamos mancar e nos apoiar em algo. Enfrente a dor.

8-Tudo flui: Nada permanece estático. As coisas mudam e a cada dia precisamos nos adaptar. As técnicas evoluem, o nosso corpo muda. O nível dos nossos companheiros e adversários mudam também. Como diria Bruce Lee: "Se você coloca água numa xícara ela se torna a xícara. Se a coloca numa garrafa, ela se torna a garrafa. Se a coloca num bule, ela se torna o bule. A água pode fluir, ou pode esmagar… seja como a água, meu amigo.”

9-Respeito em tempo integral: Não apenas ao Sensei ou ao mais graduado. Respeite a todo ser humano a sua volta. Somos feitos da mesma matéria. Geneticamente diferentes. Mas do pó viemos e a ele voltaremos. Não existe melhor ou pior. Existem diferentes.

10-Seja grato: Se você acredita que não somos um randomismo ou uma obra do acaso. Seja grato ao Criador. Afinal de contas, a força pra treinar veio dele, todo o pensamento e vontade também. Até a arte humana, não existiria se não houvesse a permissão e a capacidade divinamente inspirada.

Espero não ser interpretado como um novato que tenta cuspir leis a torto e a direito. Sou apenas um pensador livre tentando expressar algumas experiências.


Oss!
J. Caetano Jr.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ecos, silêncio, paciência e graça

"Ecos e silêncio, paciência e graça

Todos esses momentos eu nunca substituirei" [Foo Fighters]

Talvez seja um pouco incompreensível pra quem nunca fez isso, talvez um pouco de loucura pra quem é acostumado à tecnologia e civilização que consomem o intelecto. Mas o silêncio de uma caminhada longa solitária é muito confortante. 

Em uma das minhas andanças de bike por ai, comecei a pensar a respeito dessas experiências. E o quão necessárias elas têm se tornado pra minha maturidade. Não se trata de nada muito complexo, não precisei de nenhuma placa de vídeo de 200Gb, nem de uma memória RAM monstruosa. Só uma bicicleta relativamente boa(de guidom torto [aceito doações]) e coragem na medida certa.

Sei que faço parte de uma geração onde muitos preferem encher a cara de álcool e perder a razão pra rir um bocado (ainda que isso envolva os tão indesejados efeitos do catabólicos). Ou sei lá... 'puxar um' pra conseguir enxergar o que é belo e relaxar. Mas sinceramente... Não me adapto.

Vejo que é necessário ampliar um pouco a consciência do ser. Viver um pouco sem todas essas bugigangas superficiais e parafernálias tecnológicas que nos empurram de goela abaixo. 

A maioria das pessoas não conseguem ficar sós, nem em silêncio, porque não tem paciência. Estão sempre esperando por algum acontecimento fantástico e feliz. Algo que os tire do tédio. Como se a vida não fosse surpreendente o suficiente. Como se ser, fosse um agonia completa. Pessoas assim só esperam o fim da estrada. Nunca aproveitam a viagem. Perdem toda a diversão. E às vezes se frustram. Às vezes também ajo dessa maneira.

Vou ser honesto, jogo videogame desde muito tempo. Mas as dores do pulso de passar a tarde jogando videogame nem se comparam com os dedos tortos das pegadas no kimono. Dói um bocado, mas com certeza, um kimono suado nas costas me faz sentir bem mais vivo do que uma tela de trocentas polegadas.

Por que então passar o dia esperando e esperando? Porque não transformar o tédio em momento de reflexão? O indivíduo que você é pode conectar-se consigo mesmo! O autoconhecimento é uma bênção. Saber os próprios limites te leva a conhecer os limites dos outros. Ter uma convivência mais saudável e uma vida mais paciente.

Quer saber qual a conclusão disso tudo? Desligue-se um pouco dessa tela, conecte com o universo ao seu redor. Talvez você entenda um pouco o que é isso.

E como disse o poeta Oswaldo Montenegro: 
"Eu gosto é que Deus cante em tudo
e que não fique mudo morto em mil catedrais"

Aproveite o dia.

Paz e FELIZ ANO NOVO,
J.Caetano Jr.


Okay... Hoje tem trilha sonora!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Você precisa disso?

Certa vez li uma frase: "Não deixe que o comportamento dos outros destrua sua paz interior."

Pensei então: "Que conversa fiada, o comportamento dos outros sempre vai exercer alguma influência sobre o nosso comportamento. Porque no fim de tudo, somos seres sociais. As relações sociais nunca vão deixar de tirar nossa paz ou nos levar a algum outro estado de sentir".

OK, filosofei. Mas desconsiderando totalmente o princípio da individualidade. (Ok ok... alguns dirão que não podemos pensar fora da sociedade e bla bla bla... ) Mas não era sobre isso que eu queria falar.

Algumas pessoas (as vezes me incluo nesse grupo), simplesmente insistem em carregar um baú de mágoas. Outros agem como se arrancassem o coração e colocassem num baú pra não serem mais feridos(tipo o Dave Jones do Piradas do Caribe). E por incrível que pareça, ou não. Essas pessoas acreditam cegamente que precisam carregar toda essa bagagem.

Tsc tsc. Sério que você precisa carregar isso com você? E daí se as pessoas com quem você se relacionou foram todas complicadas? Existe alguém normal? E se elas foram todas (ou quase todas) mal intencionadas? Você também precisa ser mal intencionado?

Muitas perguntas não? Mas é certo que não precisamos nos vingar de nada  nem ninguém. Deixe apenas que os outros sejam como são. Não temos o controle sobre as ações de ninguém. Nem sobre o nosso comportamento temos total controle. Se elas não quiserem mudar, que o mau comportamento delas as destrua(senti cheiro de vingança).

Então faça o seguinte. Conheça a si mesmo como indivíduo. Decida não se deixar levar apenas pelas emoções. Sério, jogue fora esse baú. Será que não tá na hora de começar a pensar através da própria mente, e sentir através do próprio corpo? Você precisa mesmo disso? 

Paz,
 J.Caetano Jr.




terça-feira, 17 de setembro de 2013

A libertação da matéria


Por não passar de um cão,
Um reflexo infantil.
Às sombras alheias...
Temo não ser nada além de uma consequência sem causa intencional.
Um acidente, randomismo.
Numa das muitas variáveis e combinações analíticas
Que compõem a informação genética.
Esse acaso, que persiste em sobrepor-se ao inferno de ser
Por meios tantos, supera-se.
No purgatório das palavras, fatigas, perfeição.
Progride lentamente. A cada polegada na escalada da abolição de si.

J.Caetano Jr.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Instrumentos silenciosos

A tarde cinzenta cai como um manto, à meia luz. Ele se aproxima da porta. Lentamente retira as chaves do bolso. Abre a fechadura, gira a maçaneta e entra em passos fúnebres. Suas mãos são frias, seu olhar é baixo e sua barba mal feita. É uma meia-barba. O cabelo despenteado apenas demonstra a não preocupação com a aparência dirigindo suas ações. 

A casa é grande e vazia. Esta noite ele prefere não estar com grandes e admiráveis compositores clássicos. Já fazem alguns dias que ele não convida Bach para um chá, nem janta na companhia de Beethoven e Tchaikovsky. Hoje ele está só. Encontrar-se consigo o traz uma sensação de alívio e conflito. Mas a serenidade predomina e flui devido ao alívio de saber que não incomoda ninguém naquele momento. Como se a própria paz fosse a dos outros. Como se a paz dos outros fosse sua própria. 

Ele olha para o pequeno som enquanto prepara um café, e pensa: "Não, nada de Engenheiros do Hawaii hoje, tô sem clima." Senta-se no sofá, com as luzes apagadas. No seu trono. Com apenas um gesto manual, ordena à TV que se ligue. A tecnologia obedece ao rei. O casual rei de si mesmo. Em alguns minutos, após passar por todos os canais freneticamente, o silêncio retorna. Um silêncio pesado, cheio de sons de motores, conversas e sirenes da rua. 

É fatídico mas a solidão o agrada. O canto da sala prende sua atenção. Não são os retratos de família, lembranças ou coisas espantosas que travam seu olhar. Mas o canto empoeirado, e nele um violão seminovo, modelo folk dos anos 10. Aproxima-se e vê o quão complexo e bem feito é. E quão útil seria se alguém o tocasse. O verniz do instrumento ainda reflete alguma coisa. Vê-se no violão. Sem emitir som algum. Empoeirado e sozinho.

J.Caetano Jr.  

domingo, 3 de março de 2013

Apenas caminhe

Talvez a sua caixa de entrada do e-mail esteja lotada. Você olha a quantidade absurda de mensagens e apaga a maioria sem peso na consciência. Dorme pouco e acorda no outro dia com pressa pra sair às responsabilidades. Tanto faz quais sejam, mas elas exigem sua atenção e velocidade. Em algumas horas um avião transporta pessoas a grandes distâncias. O ritmo do dia é frenético e a globalização exige quase uma onipresença. Seu ritmo é intenso demais. Tem de cuidar dos afazeres diários, pessoais, achar tempo para dormir e ainda checar as redes sociais. Você corre. Voa. Vive na velocidade do pensamento. Move-se em um só lugar, mas com a mente em vários.   

Já experimentou caminhar? Somente caminhar. Não. Não estou falando de caminhada matinal ou exercício cardiovascular. Já tentou não ter pressa de chegar em algum lugar? Deixar o veículo no estacionamento e ir andando até a casa lotérica, desconsiderar o horário do programa de TV e assobiar uma música qualquer enquanto se equilibra no meio fio da calçada? É assim que as crianças fazem. Não se trata de irresponsabilidade ou desconsiderar horários, se trata de tentar pairar suavemente os dias que nos restam nessa Terra. 

Mastigue suavemente a maçã madura e esteja no agora. Caminhe sob a chuva do desânimo e não esqueça de levar o protetor solar, porque quando o sol voltar a brilhar você vai precisar. Penetre o tenebroso crepúsculo das dúvidas e saia pela noite densa dos temores. Não tente correr pois tudo é como um sonho, seus medos podem te alcançar e você vai cair em desespero. Apenas caminhe. Caminhe sem parar e sem esperar da vida mais do que ela pode te dar. Espere o sol nascer e tome um banho de mar com roupa e tudo. Quem garante que amanhã existirão roupas? Ou mar? Ou você?

Converse com alguém sobre um assunto sem futuro. Esteja ao lado de quem você gosta. Caminhem juntos! Sorria para essa pessoa e veja seu sorriso. Nem tudo é lazer. Nem tudo são flores. Mas possuímos o privilégio de poder desfrutar o agora. Quem sabe o que é o tempo? Não corra contra ele! Sozinho ou acompanhado, caminhe. Apenas caminhe.

Não seja tão ansioso pelo amanhã. O amanhã cuidará de si mesmo. Nem tudo depende de você. Como diria o pregador: "TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." Experimente caminhar! Apenas caminhar.


Paz,
J.Caetano Jr.


"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. 
Não viva de fotografias amareladas... 
Continue, quando todos esperam que desistas. 
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. 
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. 
Quando não conseguir correr através dos anos, trote. 
Quando não conseguir trotar, caminhe. 
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. 
Mas nunca se detenha."

[Madre Teresa de Calcutá]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Diálogo com o Espelho



Diálogo com o espelho

Sou a mesma tendência ao voraz
Sou raciocínio rápido e forte
Sua decisão decidida e pensada
Sou sem querer, dinamite que explode

Não te ensinei a correr contra o vento?
Que no tempo não se paira suave?
Não sou eu, teu instinto de guerra?
Que na Terra te mantêm bem vivo?

Por acaso fui eu compelido?
Por ti mesmo não fui alimentado?
Então que mal por ti tenho feito?
Se não sou nada além de tu mesmo.

Porque juntaste aos cacos teu amor próprio,
Suicidando assim tuas utopias
Rompendo os pulsos de teus sonhos perdidos
Trazendo-te em vida, dias mais medonhos?

Não sou assim teu lobo por dentro?
Não sou teu outro eu sem medo?


J.Caetano Jr.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bem-vindo à maquina

Desde os primórdios o ser humano cria facilidades para a vida. Máquinas, ferramentas, coisas que se aplicam ao cotidiano com o intuito de facilitar as atividades do dia-a-dia. O que veio desde a simples ferramenta de cortar carne, tornou-se a complexa máquina computadorizada que seleciona o boi, fatia, mói, faz o hambúrger e coloca na boca do indivíduo(existe essa?).

As revoluções industriais são a consequência dessa busca por facilidade do ser humano. E o que era uma     facilitação da vida, tornou-se uma nova maneira de viver e ver o mundo. A vida tornou-se um sistema complexo e enfadonho. A política, o estado, a economia, meios de adquirir alimento e sobrevivência. Reprodução e contexto familiar. É tudo tão institucionalizado e burocrático que nos perguntamos o que é viver.

Eis a questão. Somos sistemáticos ou nos tornamos sistemáticos? Essa questão social remete aquilo que consideramos mais humano. A desumanização. Parece que o ser humano afasta-se cada vez mais da humanidade por querer se tornar humano(sempre tão paradoxais). Sim, a racionalização de tudo impede-nos de viver uma vida onde desfrutamos da natureza animal. Por sermos humanos, não queremos ser animais. Logo, nos desumanizamos e nos tornamos como as máquinas. 

Se Deus fez o homem sua imagem e semelhança, o homem fez a máquina à imagem do que ele sempre quis ser. Nossa geração pós moderna sabe como ninguém personificar coisas e coisificar pessoas. E sem perceber burocratizamos relacionamentos, classificamos sentimentos e tentamos modificar o mundo ao nosso redor para que não haja dor. Somos uma geração sistemática, burocrática e problemática.

Resta-nos tentar humanizar nossa próxima geração. Mais sentimentos, menos computadores. Mais vida e menos rotina. Resta-nos chorar com a morte de um peixinho ou de um alguém que não conhecíamos. Resta-nos contato humano sem ideias pré-concebidas. Abraços cafunés e chaves de pés. Resta-nos assistir um filme para rir e não para criticar a performance de um ator coadjuvante. 

Sejamos a geração que vive na máquina. Mas não se tornou uma. 


Paz,
J.Caetano Jr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fins


"Até no riso o coração sente dor e o fim da alegria é tristeza."
[Provérbios. 14:13]


Existem dias em que não se tem companhia, dias sem riso, sem choro, sem nada. Dias rotineiros em que o pensamento como um pássaro aprisionado tenta fugir da mente por meio de tantas ações. Mas não há fuga também. Existem dias sem rumo, dias de fraqueza e dias em que nada dá certo. Como quando o raciocínio constrói um castelo de respostas para as infindáveis dúvidas da vida, e esses dias destrutivos os derrubam, mostrando que toda a segurança racional do pensamento é feita primordialmente de medo. Existem dias sem escrita, sem leitura e sem beleza. Dias de barulho e de coisas sistemáticas. Dias de máquina, de mágoas e dúvidas. Como quando a fé faz as malas e decide tirar férias, como quando o sol resolve ir também e o brilho da alma vai se ofuscando a cada noite. Nada como um medo após o outro. Nada como um dia a menos e a expectativa de que hajam outros melhores. Nada como um 'feliz dia novo' amanhã e melhor ainda, o fim dele. Porque há um fim para a alegria e juntamente com ela, tem fim a dor. E a esperança de que tudo tenha também um fim. 

Paz,
J.Caetano Jr.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sobre: Razão e percepção

Parando pra pensar um pouco sobre a vida e tudo o que ela traz. Com todas as tradições, costumes estranhos, pensamentos, sentimentos e fatos. A vida é estranha (e esquisita ao mesmo tempo). Temos tanto e não temos nada. A posse diante das coisas e o status diante das pessoas é também uma ilusão da nossa percepção. Nada possuímos. Nada sabemos de fato. O que nos acontece com o decorrer dos anos é o que passa a moldar ainda mais a nossa percepção de mundo. De uma forma ou de outra os acontecimentos ou a ansiedade por acontecimentos é o que motiva a nossa permanência no mundo. Não é atoa que pessoas sem perspectivas perdem a vontade de viver.

O que é nossa razão de viver? Há uma razão para viver?

Vivemos numa era que respira um niilismo fatalista. Despreza-se tudo o que se chama por fé. O sobrenatural é rejeitado. Logo, nada que seja além da percepção e razão humana, pode tornar-se influente ou razão de algum posicionamento na vida. Então, o homem paira sem destino num universo surgido ao acaso, rodeado por leis sistemáticas que coincidentemente sustentam o que chamamos de vida. Não há razão, ou fim pelo qual se deva existir, senão a própria existência (que por sinal é um pouco sofrida).

Essa é a nossa percepção. Mas a percepção é em tudo verdadeira? A razão é em tudo infalível? O raciocínio lógico também não depende de uma série de conceitos formados a partir da nossa percepção de mundo?

Creio que no fundo, a vida não se trata de trabalhar ou do que podemos alcançar por meio do trabalho. Não se baseia em realizações de projetos ou conquistas por mérito. Todas essas coisas estão na vida e fazem parte dela mas não são o objetivo da vida. Nem tampouco acredito que viver é um processo de purificação para uma outra realidade futura. Ou que Deus realmente precise de pessoas que tenham chegado a estatura da perfeição para serem membros de seu reino.

Pois se toda a glória murcha e tem fim. Se tudo, afinal é vaidade e desejo vão. Se todo relacionamento é incapaz de satisfazer nosso anseio por amor; ou todo conhecimento é insuficiente para se chegar a verdade; se todo prazer torna-se fadiga e ainda assim buscamos incessantemente e imortalidade ou longevidade. O que buscamos? 

Disse Santo Agostinho: "Fizeste-nos, Senhor, para ti, e nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti.

Mas que não seja necessário o fim das contas para descobrir que todas as coisas fluem para um mesmo fim. A glória eterna, perfeita e imutável que nos atrai. Deus.

Amém.

J. Caetano Jr.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A desconstrução da utopia

A desconstrução do sonho trata de uma certa desesperança no que consiste o sonhar alguma perfeição na Terra. 

Alguém já disse: "sonhar é ansiedade". De fato, o anseio positivo ou negativo repercute no estado de espirito de quem sonha ou almeja. Estado de espirito que consiste em momento, é inconsistente e por isso não se aplica às formas ideais dos sonhos, que são constantes. O que me faz perguntar: 'Pessoas inconstantes não realizam sonhos ou sonhos são irreais?'

O sonho portanto, é ideal e formado por elementos ideais e constantes, invariáveis. O que foge à realidade da existência. Se na realidade como conhecemos, há variabilidade e inconstância. Podemos dizer que o sonho é um anseio pela perfeição fora da nossa realidade? É inútil sonhar? É possível não ansiar?

A não ser que queiramos e aprendamos a esperar com paciência a realidade que é perfeita, devemos nos contentar com a expectativa e a desconstrução de uma utopia realizada na nossa realidade desconstruída e corrompida.

O que significa que algumas coisas NUNCA vão se realizar! Porque fazem parte de uma projeção de perfeição constituída por nossos conceitos errantes terrenos. E a desconstrução de algumas dessas utopias, torna possível trazer à realidade das circunstancias ao nosso alcance, e fazer o que nos é possível. Assim, talvez alcancemos nossos sonhos.

"Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor."

[I Cor. 13: 10, 12, 13]



sábado, 17 de novembro de 2012

A ilusão do sonho

Calma pessoal. Nada contra sonhos, nada contra idealizações, muito menos contra coisas aparentemente inalcançáveis. Também sou um sonhador como muitos que conheço. O sonho é bom, motivador e como a paixão, o sonho tem a característica de tirar nossos pés do chão e nos levar a patamares surreais. [Ual, senti profundidade nisso]. Sem a idealização não seria possível a realização, poucas coisas grandiosas são feitas sem planejamento prévio. Mas até que ponto sonhar é saudável? Qual o limite da idealização? Existe um limite?

Se sonho, logo idealizo. Mas talvez não tenhamos ideia do quanto nossa visão de mundo é influenciada por ideais externos. O que entendemos como perfeição é tangível?

Muitas perguntas e poucas respostas. Mas compreendo que o limite da idealização é o real. E o real nem sempre é tangível. Logo, é possível sonhar com o impossível, mas com os pés no chão. Nem sempre o impossível nos é possível  [Variáveis, muitas variáveis.] Nossa realidade não é estática, existem regras e leis, mas não para a nossa vida privada. O que pode se realizar para alguns pode não se realizar para outros, e não cabe a mim dizer se isso é obra do acaso ou projeto divino. 

Então sonhe! Idealize! Mas tenha paciência. O sábio de Eclesiastes entendeu bem isso: "TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu."[Ec.3:1] Sua história não é igual a de ninguém. Nem sempre todo  esforço do mundo vai realizar o maior sonho do universo, mas não custa nada tentar. Ou melhor, fazer o possível, pois quem sabe até onde se estende o seu possível?!

Ser platônico nem sempre é legal. As formas ideais estão nas ideias e não na realidade em que vivemos, então é melhor desistir de algumas coisas. O perfeccionismo é como o sal, é bom na quantidade certa. Faz até bem, mas pode prejudicar em grande quantidade. "Então, por isso viva e deixe viver". 

Enfim, não quero fazer do blog um diário. Mas a palavra de ordem é essa, entregar nas mãos de Deus o que se sonha, sonhar com os pés no chão e ter paciência. Sem muitas palavras.

Paz, 
J.Caetano Jr.  

domingo, 5 de agosto de 2012

Ataque Surpresa

Algumas feridas param de doer. Enquanto outras estão só no principio das dores. Estou cego. O estilhaço inesperado da indecisão raspou no meu rosto e fincou no meu olho esquerdo. O outro seria o bastante para enxergar muito bem se não fosse toda essa neblina. A situação fica a cada momento mais complicada. Algumas loucuras passam pela minha cabeça. Voltar atrás, desistir de tudo, correr desesperadamente, dar um tiro no escuro. Nada disso adiantaria nada, talvez para piorar as coisas.

E a posse? Ah, a ilusão da posse. Eu tinha tudo em minhas mãos, todos os planos, os trajetos os tempos e contratempos. Tudo parecia tão sob controle. Até que o inesperado revela que não há controle de nada. O controle é uma ilusão, a posse é uma ilusão. O inesperado sempre revela coisas. Revela palavras vazias ou carregadas de amargura. Revela o tamanho de nossa coragem em enfrentar a tragédia, ou o tamanho da nossa frouxura. Revela o nosso amor, e o nosso falso amor. A raiva, e o quanto suportamos ser tentados.

Mas a duvida? O temor? Todo o 'não saber o que fazer' que existe na terra. Essas são as piores situações que se pode estar em meio a uma guerra. De repente, quem sabe, nos sobrevem uma derrota iminente? Uma tragédia esperada? Uma bala na cabeça ou quem sabe, nada? A sensação do nada é péssima pra quem sempre espera um acontecimento.

No momento em que não se enxerga nada, é melhor não fazer nada. No momento da indecisão é melhor decidir por esperar a visão voltar.

Posso ouvir os gritos dos desesperados. Posso sentir o cheiro dos gases toxicos invadindo as entranhas e comendo o juizo dos afetados. Onde existe destruição não há como apelar. Tudo é inesperado. Tudo é repentino. Às cegas é tão dificil ter confiança. Não posso ser tomado pelo desespero. Não agora. Nunca.

Uma mão toca meu ombro e de repente alguém me diz: "Estou aqui. Confie em mim, vamos sair juntos dessa."

Ouço vozes: Organizaar!

E então uma luz de esperança se acende em meu coração. Sei que apesar de tudo o que possa acontecer, posso confiar nalguma unidade. Talvez a unica em que fosse digna de confiança durante toda a vida. Sei que apesar de todos as falhas humanas, e de sempre haver uma granada sem pino no peito de cada ser existente. Fui amado. Sou amado. Posso amar. E não preciso jogar essa granada.

Cp. Esperançoso, 21°Pelotão de Infantaria do Exercito Maltrapilho.
Em campanha rumo à Cidade Celestial. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lição de Trânsito


Asfalto e concreto é o que se vê ao redor. Há pouco verde e pouco azul, tudo é cinzento; e as cores vivas vêm dos outdoors e anúncios publicitários. "Você pode ser...", diz o cartaz. "Você pode ter!", diz a vitrine. 

Em meio a agitação, caminham, serenos, um velho e uma criança. Uma caminhada com gosto de aposentadoria e férias escolares. Olhando para os carros, o guri quebra o silêncio e pergunta:

- Vô?! Quando eu vou poder dirigir?
Os olhos pretos do velho fitam com carinho a criança.
- Vai chegar o tempo. Diz o velho.
- Não vejo a hora de crescer. Quero ser grande pra ninguém mandar em mim.
- Não tenha tanta pressa. Quando chegar a hora que você estiver grande, vai querer ser criança de novo. Ele sorri, mexe na barba branca e curta. E continua:
- Tem umas coisas que quero te ensinar. Pode ser que você não entenda tudo mas no tempo certo vai precisar. Preste atenção, o trânsito não é tão fácil assim. Dirigir é tão dificil quanto viver.
Para ambos é necessário responsabilidade, e ponha uma coisa na cabeça. Nunca, tudo dará certo, sempre acontecerão acidentes, choques e conflitos. Porque os dois são feitos de pessoas em movimento. E pessoas sempre cometem falhas. Apesar de todo um planejamento prévio, leis e regras, alguém sempre pode machucar alguém. Pessoas erram, consigo mesmas, com as outras, e com as leis planejadas desde antes da fundação do mundo, ou do trânsito.
A individualidade, te dá a impressão de que tudo depende de você, e a direção de algo, te dá ilusão de controle. Quando na verdade, tudo depende do ritmo. Uma coisa por vez, cada tempo ao seu tempo.
É tudo uma questão de objetivos. No trânsito ou na vida, temos que ter um alvo, um objetivo maior, um lugar a se chegar.
Nesse trajeto você encontrará pessoas que têm o mesmo objetivo, com caminhos e ritmo diferentes dos seus. Alguns irão te acompanhar lado a lado por longos tempos. Outros irão passar e deixar saudades, levando um pouco de ti no coração, ou arrancando sem dó, pedaços do teu coração.
Momentos bons e ruins, tranquilidade e agitação, calmaria e aflição, saudades, grandes alegrias, tristezas e decepções. Mas nunca esqueça quem você é, e qual o seu alvo. Alguns caminhos podem parecer bons aos seus olhos, ou mais curtos, mas o seu final é morte*, não se desvie do seu objetivo. Os acidentes vão te ensinar a ter cautela, seja lúcido e vigilante. Mas sempre confie inteiramente em Deus, pois dele vem toda a habilidade.

E para concluir. Disse o velho, abaixando-se e pegando nos ombros da criança:
- Ame. Muito! E não busque seus próprios interesses, pois o egoísmo, faz com que, até as mais nobres atitudes sejam mero exibicionismo.
O menino arregalou os olhos e disse em tom de dúvida:
- Preciso disso tudo para dirigir e ser grande?
E sorrindo o velho respondeu:
- Não. Vivendo você vai saber que precisa disso tudo.
- Não entendi...
- Agora não. Nesse momento, não se preocupe com isso. São apenas delírios de um velho tolo.

E seguiram seu caminho. Cada um em seu ritmo, com um mesmo objetivo, bagagens diferentes, caminhos diferentes. Mas a mão pequenina, puxando a mão queimada do sol, e cheia de calos. Refletia apesar do contraste, certa união. Sabedoria à inexperiência, e inocência à experiência.
Era mais um, desses pequenos e eternos momentos, alcançados, nesse trânsito da vida. Era simplesmente a vida em trânsito.

*"Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte."  (Provérbios16:25)


Paz,
J.Caetano Jr.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...