domingo, 3 de março de 2013

Apenas caminhe

Talvez a sua caixa de entrada do e-mail esteja lotada. Você olha a quantidade absurda de mensagens e apaga a maioria sem peso na consciência. Dorme pouco e acorda no outro dia com pressa pra sair às responsabilidades. Tanto faz quais sejam, mas elas exigem sua atenção e velocidade. Em algumas horas um avião transporta pessoas a grandes distâncias. O ritmo do dia é frenético e a globalização exige quase uma onipresença. Seu ritmo é intenso demais. Tem de cuidar dos afazeres diários, pessoais, achar tempo para dormir e ainda checar as redes sociais. Você corre. Voa. Vive na velocidade do pensamento. Move-se em um só lugar, mas com a mente em vários.   

Já experimentou caminhar? Somente caminhar. Não. Não estou falando de caminhada matinal ou exercício cardiovascular. Já tentou não ter pressa de chegar em algum lugar? Deixar o veículo no estacionamento e ir andando até a casa lotérica, desconsiderar o horário do programa de TV e assobiar uma música qualquer enquanto se equilibra no meio fio da calçada? É assim que as crianças fazem. Não se trata de irresponsabilidade ou desconsiderar horários, se trata de tentar pairar suavemente os dias que nos restam nessa Terra. 

Mastigue suavemente a maçã madura e esteja no agora. Caminhe sob a chuva do desânimo e não esqueça de levar o protetor solar, porque quando o sol voltar a brilhar você vai precisar. Penetre o tenebroso crepúsculo das dúvidas e saia pela noite densa dos temores. Não tente correr pois tudo é como um sonho, seus medos podem te alcançar e você vai cair em desespero. Apenas caminhe. Caminhe sem parar e sem esperar da vida mais do que ela pode te dar. Espere o sol nascer e tome um banho de mar com roupa e tudo. Quem garante que amanhã existirão roupas? Ou mar? Ou você?

Converse com alguém sobre um assunto sem futuro. Esteja ao lado de quem você gosta. Caminhem juntos! Sorria para essa pessoa e veja seu sorriso. Nem tudo é lazer. Nem tudo são flores. Mas possuímos o privilégio de poder desfrutar o agora. Quem sabe o que é o tempo? Não corra contra ele! Sozinho ou acompanhado, caminhe. Apenas caminhe.

Não seja tão ansioso pelo amanhã. O amanhã cuidará de si mesmo. Nem tudo depende de você. Como diria o pregador: "TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." Experimente caminhar! Apenas caminhar.


Paz,
J.Caetano Jr.


"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. 
Não viva de fotografias amareladas... 
Continue, quando todos esperam que desistas. 
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. 
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. 
Quando não conseguir correr através dos anos, trote. 
Quando não conseguir trotar, caminhe. 
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. 
Mas nunca se detenha."

[Madre Teresa de Calcutá]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Diálogo com o Espelho



Diálogo com o espelho

Sou a mesma tendência ao voraz
Sou raciocínio rápido e forte
Sua decisão decidida e pensada
Sou sem querer, dinamite que explode

Não te ensinei a correr contra o vento?
Que no tempo não se paira suave?
Não sou eu, teu instinto de guerra?
Que na Terra te mantêm bem vivo?

Por acaso fui eu compelido?
Por ti mesmo não fui alimentado?
Então que mal por ti tenho feito?
Se não sou nada além de tu mesmo.

Porque juntaste aos cacos teu amor próprio,
Suicidando assim tuas utopias
Rompendo os pulsos de teus sonhos perdidos
Trazendo-te em vida, dias mais medonhos?

Não sou assim teu lobo por dentro?
Não sou teu outro eu sem medo?


J.Caetano Jr.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bem-vindo à maquina

Desde os primórdios o ser humano cria facilidades para a vida. Máquinas, ferramentas, coisas que se aplicam ao cotidiano com o intuito de facilitar as atividades do dia-a-dia. O que veio desde a simples ferramenta de cortar carne, tornou-se a complexa máquina computadorizada que seleciona o boi, fatia, mói, faz o hambúrger e coloca na boca do indivíduo(existe essa?).

As revoluções industriais são a consequência dessa busca por facilidade do ser humano. E o que era uma     facilitação da vida, tornou-se uma nova maneira de viver e ver o mundo. A vida tornou-se um sistema complexo e enfadonho. A política, o estado, a economia, meios de adquirir alimento e sobrevivência. Reprodução e contexto familiar. É tudo tão institucionalizado e burocrático que nos perguntamos o que é viver.

Eis a questão. Somos sistemáticos ou nos tornamos sistemáticos? Essa questão social remete aquilo que consideramos mais humano. A desumanização. Parece que o ser humano afasta-se cada vez mais da humanidade por querer se tornar humano(sempre tão paradoxais). Sim, a racionalização de tudo impede-nos de viver uma vida onde desfrutamos da natureza animal. Por sermos humanos, não queremos ser animais. Logo, nos desumanizamos e nos tornamos como as máquinas. 

Se Deus fez o homem sua imagem e semelhança, o homem fez a máquina à imagem do que ele sempre quis ser. Nossa geração pós moderna sabe como ninguém personificar coisas e coisificar pessoas. E sem perceber burocratizamos relacionamentos, classificamos sentimentos e tentamos modificar o mundo ao nosso redor para que não haja dor. Somos uma geração sistemática, burocrática e problemática.

Resta-nos tentar humanizar nossa próxima geração. Mais sentimentos, menos computadores. Mais vida e menos rotina. Resta-nos chorar com a morte de um peixinho ou de um alguém que não conhecíamos. Resta-nos contato humano sem ideias pré-concebidas. Abraços cafunés e chaves de pés. Resta-nos assistir um filme para rir e não para criticar a performance de um ator coadjuvante. 

Sejamos a geração que vive na máquina. Mas não se tornou uma. 


Paz,
J.Caetano Jr.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Desapego


Desapego

Desconstruirei meus murinhos de queixas
Derrubarei meus castelos de areia
Desestruturarei minhas ideias bem feitas
Não derramarei o que corre em minhas veias
Gritarei como aflito a essa vida
Que me ouça ou me deixe à deriva
Desisti de traçar meus trajetos
Desisti de sonhar com projetos
Resolvi não compor mais romances
Nem fazer mais apostas ou lances.
Em pessoas ou planos gigantes
Deixarei ao acaso as respostas
Ao futuro que seja o improvável.
Que o impossível me seja alcançável.
Seja incerto, até mesmo incansável.

Janeiro de 2013
J. Caetano Jr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fins


"Até no riso o coração sente dor e o fim da alegria é tristeza."
[Provérbios. 14:13]


Existem dias em que não se tem companhia, dias sem riso, sem choro, sem nada. Dias rotineiros em que o pensamento como um pássaro aprisionado tenta fugir da mente por meio de tantas ações. Mas não há fuga também. Existem dias sem rumo, dias de fraqueza e dias em que nada dá certo. Como quando o raciocínio constrói um castelo de respostas para as infindáveis dúvidas da vida, e esses dias destrutivos os derrubam, mostrando que toda a segurança racional do pensamento é feita primordialmente de medo. Existem dias sem escrita, sem leitura e sem beleza. Dias de barulho e de coisas sistemáticas. Dias de máquina, de mágoas e dúvidas. Como quando a fé faz as malas e decide tirar férias, como quando o sol resolve ir também e o brilho da alma vai se ofuscando a cada noite. Nada como um medo após o outro. Nada como um dia a menos e a expectativa de que hajam outros melhores. Nada como um 'feliz dia novo' amanhã e melhor ainda, o fim dele. Porque há um fim para a alegria e juntamente com ela, tem fim a dor. E a esperança de que tudo tenha também um fim. 

Paz,
J.Caetano Jr.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Probleminha com as ideias


O problema das formas ideais é que elas são abstrações. São limitações da imensa e infinita variedade de imperfeições do universo. É uma maneira de estabelecer limites às coisas que não se alcançam tornando-as tangíveis, ou ao menos imagináveis. Dai parte a infinidade de obras artísticas e sonhos dos idealistas que insistem em querer o que não podem ter, ou por alguma ironia da vida são impulsionados a amar as idealizações. Essa relação que se dá entre o ideal interno e o real externo causa uma azia mental e um corroer de ferrugem nos pensamentos que alguns chamam de paixão. Idealizar é ansiar. Ansiar o ideal é ansiedade. É paixão, medo e morte. Tudo ao mesmo tempo. É travar uma guerra interna, de proporções tão desastrosas que os destroços que voam da alma escapam pelas janelas em forma de lágrimas ou por alguma dádiva divina tornam-se coisas belas de se contemplar. Coisas, textos, melodias e imagens. Ah, caso houvesse a chance de não ansiar. Pudera ser racionalista por completo e deixar de lado todas as abstrações sem sentido de um coração atormentado. Poderia não amar e ser humano? Poderia existir e não externar?


J.Caetano Jr.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sobre: Razão e percepção

Parando pra pensar um pouco sobre a vida e tudo o que ela traz. Com todas as tradições, costumes estranhos, pensamentos, sentimentos e fatos. A vida é estranha (e esquisita ao mesmo tempo). Temos tanto e não temos nada. A posse diante das coisas e o status diante das pessoas é também uma ilusão da nossa percepção. Nada possuímos. Nada sabemos de fato. O que nos acontece com o decorrer dos anos é o que passa a moldar ainda mais a nossa percepção de mundo. De uma forma ou de outra os acontecimentos ou a ansiedade por acontecimentos é o que motiva a nossa permanência no mundo. Não é atoa que pessoas sem perspectivas perdem a vontade de viver.

O que é nossa razão de viver? Há uma razão para viver?

Vivemos numa era que respira um niilismo fatalista. Despreza-se tudo o que se chama por fé. O sobrenatural é rejeitado. Logo, nada que seja além da percepção e razão humana, pode tornar-se influente ou razão de algum posicionamento na vida. Então, o homem paira sem destino num universo surgido ao acaso, rodeado por leis sistemáticas que coincidentemente sustentam o que chamamos de vida. Não há razão, ou fim pelo qual se deva existir, senão a própria existência (que por sinal é um pouco sofrida).

Essa é a nossa percepção. Mas a percepção é em tudo verdadeira? A razão é em tudo infalível? O raciocínio lógico também não depende de uma série de conceitos formados a partir da nossa percepção de mundo?

Creio que no fundo, a vida não se trata de trabalhar ou do que podemos alcançar por meio do trabalho. Não se baseia em realizações de projetos ou conquistas por mérito. Todas essas coisas estão na vida e fazem parte dela mas não são o objetivo da vida. Nem tampouco acredito que viver é um processo de purificação para uma outra realidade futura. Ou que Deus realmente precise de pessoas que tenham chegado a estatura da perfeição para serem membros de seu reino.

Pois se toda a glória murcha e tem fim. Se tudo, afinal é vaidade e desejo vão. Se todo relacionamento é incapaz de satisfazer nosso anseio por amor; ou todo conhecimento é insuficiente para se chegar a verdade; se todo prazer torna-se fadiga e ainda assim buscamos incessantemente e imortalidade ou longevidade. O que buscamos? 

Disse Santo Agostinho: "Fizeste-nos, Senhor, para ti, e nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti.

Mas que não seja necessário o fim das contas para descobrir que todas as coisas fluem para um mesmo fim. A glória eterna, perfeita e imutável que nos atrai. Deus.

Amém.

J. Caetano Jr.



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