quarta-feira, 27 de março de 2013

Literal

Literal

Mais do que literário meu sentir foi literal
Aos pés das letras, sonoramente belo.
Concreto e materializado,
Como a extensão substantiva da substância
Eu te escrevi, te recitei.
Te interpretei e compreendi,
Que não és mais que amargura,
És tinta e celulose, és pensamento puro.


J.Caetano Jr.

domingo, 17 de março de 2013

Amor: um ponto de vista.

Antes de tudo, o que chamamos de amor é uma perspectiva, uma ótica aplicada a relacionamentos, sejam interpessoais ou relacionados a coisas, objetos e animais. Parece que ninguém mais ousa dizer que o amor é um sentimento, como se soasse uma solução muito simplista. Mas podemos dizer que é uma forma de direcionar sentimentos, uma visão que permite a apropriação de determinados sentimentos.

O amor caridoso pode ser considerado uma, ou a maior das virtudes morais que o ser humano pode desenvolver. Mas me parece que no fim das contas o amor é como um espelho que nos faz querer para o próximo o que gostaríamos para nós mesmos, como numa relação de auto-conservação. Mesmo assim, não deixa de ser uma virtude moral desenvolvida. Se a capacidade de desenvolvimento dessas virtudes são inatas ou não, não entraremos em questão aqui.

Por isso entende-se que quem não consegue amar-se, dificilmente conseguirá nutrir amor por outra pessoa. Essa afirmação é um tanto senso comum, mas faz sentido nessa visão. Pelas sábias palavras de Cristo: "Amarás a teu próximo como a ti mesmo". 

No pensamento de Sócrates o bem supremo assemelha-se ao amor cristão, como também em Platão, o amor tem a ver com o bem e com as formas ideais. Mas antes disso, Empedocles trata amor e ódio como forças materiais que unem e separam todas as coisas existentes. Ou seja, o conceito de amor é discutido a muito tempo e não vai ser hoje que teremos uma definição do que vem a ser. Porém um pensador me chamou atenção, Skinner chamou o amor de reforçamento positivo. O que não deixa de ter uma relação com a figura do espelho e da auto-conservação(analisando a grosso modo), como uma relação de troca ou uma via de mão dupla. Isso pode até soar um pouco sem virtude e cheio de interesse, mas é real. O apóstolo Paulo falou em Efésios 5:29 "Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja;".

Entendo em minha reflexão, portanto, que o amor é uma ótica, uma maneira de vermos as relações com pessoas objetos e coisas, como vemos a nós mesmos, direcionando sentimentos e atitudes para o objeto de afeição em questão. Amamos o que de alguma forma nos faz bem ou nos adiciona algo. Amamos aquilo que se identifica conosco, como algo que gostaríamos de conservar ou obter. Amamos aquilo que de alguma forma nos é familiar e traz uma ideia de bem.

E é exatamente na familiaridade e na singularidade que encontrei algo interessante na obra de Antoine de Saint-Exupéry:  "Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."

Quando cada coisa está inclusa num conjunto, numa ideia geral, aquilo não passa de mais um elemento dentre tantos. Por exemplo, uma constelação é a penas uma constelação, e tem-se a ideia geral do que seria uma estrela, nessa ótica. Uma estrela jamais poderia ser considerada especial ou de maior magnitude que outra se não houvesse um aprofundamento no conhecimento das características individuais dela. Uma constelação é um conjunto de estrelas, mas a Antares é uma gigante vermelha da constelação de escorpião que pode ser considerada a 16º mais brilhante do céu noturno. O exemplo pode parecer óbvio, mas consideremos uma ninhada de gatos. Uma pessoa em questão: A, decide criar um filhote: B. A, passa a conhecer B com seus hábitos e características individuais. B não é igual a nenhum outro gatinho de sua ninhada e o amor de A por B, diferencia-o dos outros. Penso portanto que nenhum amor é igual, e que o amor por algo ou alguém pressupõe o conhecimento do mesmo. Logo, não é possível que pessoas que não se conhecem se amem de fato. Mas é muito provável que exista o amor pela ideia que se faz do outro. Teologicamente falando, o único ser capaz de amar a todos incondicionalmente tendo o conhecimento verdadeiro da pessoa e mantendo o ponto de vista imutável pela sua onisciência, esse Ser é Deus. 

Na verdade, sobre o amor nas relações humanas sabe-se muito mais do que essas simples especulações filosóficas. Mas como diz a escritura: "Examinai tudo. Retende o bem." E este é apenas um ponto de vista sobre o amor. O amor é um ponto de vista.

Paz, 
J.Caetano Jr.

P.S.
O acima não se trata de um artigo científico, mas de especulações e divagações filosóficas de um leigo, baseadas num conhecimento superficial de alguns autores, pensadores e textos. 

domingo, 3 de março de 2013

Apenas caminhe

Talvez a sua caixa de entrada do e-mail esteja lotada. Você olha a quantidade absurda de mensagens e apaga a maioria sem peso na consciência. Dorme pouco e acorda no outro dia com pressa pra sair às responsabilidades. Tanto faz quais sejam, mas elas exigem sua atenção e velocidade. Em algumas horas um avião transporta pessoas a grandes distâncias. O ritmo do dia é frenético e a globalização exige quase uma onipresença. Seu ritmo é intenso demais. Tem de cuidar dos afazeres diários, pessoais, achar tempo para dormir e ainda checar as redes sociais. Você corre. Voa. Vive na velocidade do pensamento. Move-se em um só lugar, mas com a mente em vários.   

Já experimentou caminhar? Somente caminhar. Não. Não estou falando de caminhada matinal ou exercício cardiovascular. Já tentou não ter pressa de chegar em algum lugar? Deixar o veículo no estacionamento e ir andando até a casa lotérica, desconsiderar o horário do programa de TV e assobiar uma música qualquer enquanto se equilibra no meio fio da calçada? É assim que as crianças fazem. Não se trata de irresponsabilidade ou desconsiderar horários, se trata de tentar pairar suavemente os dias que nos restam nessa Terra. 

Mastigue suavemente a maçã madura e esteja no agora. Caminhe sob a chuva do desânimo e não esqueça de levar o protetor solar, porque quando o sol voltar a brilhar você vai precisar. Penetre o tenebroso crepúsculo das dúvidas e saia pela noite densa dos temores. Não tente correr pois tudo é como um sonho, seus medos podem te alcançar e você vai cair em desespero. Apenas caminhe. Caminhe sem parar e sem esperar da vida mais do que ela pode te dar. Espere o sol nascer e tome um banho de mar com roupa e tudo. Quem garante que amanhã existirão roupas? Ou mar? Ou você?

Converse com alguém sobre um assunto sem futuro. Esteja ao lado de quem você gosta. Caminhem juntos! Sorria para essa pessoa e veja seu sorriso. Nem tudo é lazer. Nem tudo são flores. Mas possuímos o privilégio de poder desfrutar o agora. Quem sabe o que é o tempo? Não corra contra ele! Sozinho ou acompanhado, caminhe. Apenas caminhe.

Não seja tão ansioso pelo amanhã. O amanhã cuidará de si mesmo. Nem tudo depende de você. Como diria o pregador: "TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." Experimente caminhar! Apenas caminhar.


Paz,
J.Caetano Jr.


"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. 
Não viva de fotografias amareladas... 
Continue, quando todos esperam que desistas. 
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. 
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. 
Quando não conseguir correr através dos anos, trote. 
Quando não conseguir trotar, caminhe. 
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. 
Mas nunca se detenha."

[Madre Teresa de Calcutá]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Diálogo com o Espelho



Diálogo com o espelho

Sou a mesma tendência ao voraz
Sou raciocínio rápido e forte
Sua decisão decidida e pensada
Sou sem querer, dinamite que explode

Não te ensinei a correr contra o vento?
Que no tempo não se paira suave?
Não sou eu, teu instinto de guerra?
Que na Terra te mantêm bem vivo?

Por acaso fui eu compelido?
Por ti mesmo não fui alimentado?
Então que mal por ti tenho feito?
Se não sou nada além de tu mesmo.

Porque juntaste aos cacos teu amor próprio,
Suicidando assim tuas utopias
Rompendo os pulsos de teus sonhos perdidos
Trazendo-te em vida, dias mais medonhos?

Não sou assim teu lobo por dentro?
Não sou teu outro eu sem medo?


J.Caetano Jr.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bem-vindo à maquina

Desde os primórdios o ser humano cria facilidades para a vida. Máquinas, ferramentas, coisas que se aplicam ao cotidiano com o intuito de facilitar as atividades do dia-a-dia. O que veio desde a simples ferramenta de cortar carne, tornou-se a complexa máquina computadorizada que seleciona o boi, fatia, mói, faz o hambúrger e coloca na boca do indivíduo(existe essa?).

As revoluções industriais são a consequência dessa busca por facilidade do ser humano. E o que era uma     facilitação da vida, tornou-se uma nova maneira de viver e ver o mundo. A vida tornou-se um sistema complexo e enfadonho. A política, o estado, a economia, meios de adquirir alimento e sobrevivência. Reprodução e contexto familiar. É tudo tão institucionalizado e burocrático que nos perguntamos o que é viver.

Eis a questão. Somos sistemáticos ou nos tornamos sistemáticos? Essa questão social remete aquilo que consideramos mais humano. A desumanização. Parece que o ser humano afasta-se cada vez mais da humanidade por querer se tornar humano(sempre tão paradoxais). Sim, a racionalização de tudo impede-nos de viver uma vida onde desfrutamos da natureza animal. Por sermos humanos, não queremos ser animais. Logo, nos desumanizamos e nos tornamos como as máquinas. 

Se Deus fez o homem sua imagem e semelhança, o homem fez a máquina à imagem do que ele sempre quis ser. Nossa geração pós moderna sabe como ninguém personificar coisas e coisificar pessoas. E sem perceber burocratizamos relacionamentos, classificamos sentimentos e tentamos modificar o mundo ao nosso redor para que não haja dor. Somos uma geração sistemática, burocrática e problemática.

Resta-nos tentar humanizar nossa próxima geração. Mais sentimentos, menos computadores. Mais vida e menos rotina. Resta-nos chorar com a morte de um peixinho ou de um alguém que não conhecíamos. Resta-nos contato humano sem ideias pré-concebidas. Abraços cafunés e chaves de pés. Resta-nos assistir um filme para rir e não para criticar a performance de um ator coadjuvante. 

Sejamos a geração que vive na máquina. Mas não se tornou uma. 


Paz,
J.Caetano Jr.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Desapego


Desapego

Desconstruirei meus murinhos de queixas
Derrubarei meus castelos de areia
Desestruturarei minhas ideias bem feitas
Não derramarei o que corre em minhas veias
Gritarei como aflito a essa vida
Que me ouça ou me deixe à deriva
Desisti de traçar meus trajetos
Desisti de sonhar com projetos
Resolvi não compor mais romances
Nem fazer mais apostas ou lances.
Em pessoas ou planos gigantes
Deixarei ao acaso as respostas
Ao futuro que seja o improvável.
Que o impossível me seja alcançável.
Seja incerto, até mesmo incansável.

Janeiro de 2013
J. Caetano Jr.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fins


"Até no riso o coração sente dor e o fim da alegria é tristeza."
[Provérbios. 14:13]


Existem dias em que não se tem companhia, dias sem riso, sem choro, sem nada. Dias rotineiros em que o pensamento como um pássaro aprisionado tenta fugir da mente por meio de tantas ações. Mas não há fuga também. Existem dias sem rumo, dias de fraqueza e dias em que nada dá certo. Como quando o raciocínio constrói um castelo de respostas para as infindáveis dúvidas da vida, e esses dias destrutivos os derrubam, mostrando que toda a segurança racional do pensamento é feita primordialmente de medo. Existem dias sem escrita, sem leitura e sem beleza. Dias de barulho e de coisas sistemáticas. Dias de máquina, de mágoas e dúvidas. Como quando a fé faz as malas e decide tirar férias, como quando o sol resolve ir também e o brilho da alma vai se ofuscando a cada noite. Nada como um medo após o outro. Nada como um dia a menos e a expectativa de que hajam outros melhores. Nada como um 'feliz dia novo' amanhã e melhor ainda, o fim dele. Porque há um fim para a alegria e juntamente com ela, tem fim a dor. E a esperança de que tudo tenha também um fim. 

Paz,
J.Caetano Jr.
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