sábado, 24 de dezembro de 2011

Algodão Doce

As nuvens da cidade não são brancas à noite.

E as estrelas que brilham são planetas. Assim como o branco da nuvem que é amarelo.

Na cidade nada é o que é. Nada espera, nada crê, nada suporta.

A noite faz o papel de deixar as nuvens a par das luzes amarelas. - gosto quando falta luz.

O Silencio, o escuro. A única luz que resta é da lua.

No meio do negrume e das velas na sala nascem pensamentos, recordações, remorsos. -Gosto do escuro.

Gosto do escuro por que me faz pensar.

No escuro invento fantasmas e fantasias. Invento monstros que sempre querem me pegar. Bem diferente do dia, onde esses monstros têm nome, RG e CPF. -mas gosto mais quando falta luz.

Gosto mais, por que quando falta luz, as pessoas são mais pessoas. As pessoas são mais elas. A criança corre para o braço da mãe aos gritos. Os velhos vão para as ruas para ver outros velhos nas ruas. Gosto, pois quando falta luz, as pessoas olham para a lua. Neste momento a tecnologia se cala e se rende a beleza natural.

E quando falta luz as nuvens são brancas, como Deus as criou.

Como todo algodão doce deve ser.

Doce.


Daniel Mateus  @damateus
11/12/2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Diário de Bordo#3: Espeleo

Numa expedição não agendada, andei curiosamente pelas obscuras cavernas da minha própria mente...


Nunca quis ser Espeleólogo, nem entendo de grutas... Mas alguma coisa me atraiu ao interior dessa gruta em especial. Não sei se alguma familiaridade ou luminosidade reveladora, mas fui levado às entranhas de uma caverna desconhecida e perigosa.


Tudo pareceu tão confuso e escuro durante um tempo. Enquanto o vento das emoções de qualquer acontecimento anormal movimentavam minha atenção, eu permaneci pendurado naquela corda, sem saber o que fazer. Sem querer conhecer de verdade minha própria identidade, e sem querer fugir dela. Decidi enfim! Com certeza encontraria sossego, afinal, quem mais estaria lá dentro, senão eu? Era isso que eu temia. Só não esperava que alguém já houvesse explorado este local desconhecido, nem tampouco que alguém se agradasse daquele abrigo aparentemente desprezível.


Confesso que tremi quando contemplei pela primeira vez como um todo.
 - Que bagunça! Pensei.
 - Realmente uma espelunca... Quantas idéias penduradas feito estalactites. Essas coisas estão quase caindo na minha cabeça!
Mais a frente percebi que muitas das ideologias haviam realmente desabado, naturalmente creio. Contudo tudo estava muito misturado, pedras, sombras, luzes, dores, amores, medos. Temi instantaneamente.
 - Alguém precisa organizar isso aqui antes que eu perca a cabeça!
Senti que na verdade esse organizador de idéias não esteve inteiramente ausente, mas agiu despreocupadamente durante um tempo.
 - Deus...
Disse numa breve oração.
 - Descuidei da minha mente, deixei de guardar meu coração*, e pela sua tendência natural ele ficou bagunçado como está. Ajuda-me a arrumar essa bagunça, quem sabe assim o Senhor se agrada do lugar...

Não obtive resposta direta, mas logo percebi que a caverna era habitada. Alguém havia colocado firmes alicerces e começara a edificar sua morada, o Senhor se agradou dali sem motivo algum, se compadeceu da falta de estrutura e da desorganização. Comprou aquele local para si e iniciou novas obras, uma construção perfeita.

Foi a motivação necessária para continuar a exploração, organizar as idéias e deixar ser edificado sobre esses fundamentos. Não me encontrei lá dentro, nem encontrei a Deus. Somente bagunça e necessidade de conserto. Mas sem a consciência da mudança ninguém tenta mudar né...  Tenho que continuar mexendo nesse lugar, não posso descuidar dele. Quero em breve conhecer aquele que deu valor ao desprezível. Que comprou por um alto preço o que não tinha nenhum valor. E amou a quem nunca mereceu.


"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida."  (Provérbios 4 : 23)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
J. Caetano Jr.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ser ou não ser... Eis a questão!

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (II Coríntios 5: 17)

Primeiro, gostaria de tentar esclarecer a diferença principal entre ser e estar, sem desconsiderar suas semelhanças.  Entendemos o “ser”, como algo além do existencialismo seco, um conjunto de fatores que compõem a identidade de um indivíduo. Fatores de personalidade, classe social, educação, estilo de vida, filosofia etc. Enquanto a condição de “estar”, é somente um dos fatores que compõem e influenciam na identidade de um ser. Podendo ser uma condição física ou até mesmo ideológica. E também o estar, caracteriza-se por ser uma condição de existência, passageira e momentânea. 

Uma coisa completa a outra. Somos feitos, tanto daquilo que temos como indivíduos, desde o nascimento, quanto por fatores externos que passam a fazer parte da nossa identidade como um todo.

O que realmente somos?

Certa vez, li em algum lugar uma frase de C.S.Lewis que dizia: "Você não tem alma. Você é uma alma. Você tem um corpo.". Entendemos essa verdade na bíblia, quando o apóstolo diz que "PORQUE sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus."(II Coríntios 5 : 1). Fica então evidente que, nossa existência vai muito além de um corpo, com todos os traços, conquistas, tragédias, e memórias, felizes e infelizes adquiridas em vida. Tudo isso faz parte sim, compõe aquilo que somos, mas o que realmente somos, apesar de mutável, é eterno. Somos como rochas esculpidas pelo tempo, onde os fatores externos, como a erosão, podem ser escolhidos (em parte) por nós.

Podemos mudar o que somos?

Quando o livro aos Romanos, fala sobre a corrupção humana, o apostolo Paulo, argumenta quanto a corrupção dos judeus e dos gentios, colocando assim todo ser humano num mesmo plano de pecado. “Todos carecem da glória de Deus.” Tornamo-nos criaturas sem afeição natural, até mesmo nossa bondade é movida por egoísmo. Nossas ações mais louváveis são somente isso... Louváveis. Têm aparência de piedade. O homem natural é mal e busca desesperadamente, em sua independência conseguir, por meio da rebelião, um lugar no trono do próprio viver.

Não podemos mudar o que somos por nossa própria vontade. Homem algum conseguiu isso. Não por fatores naturais. Nosso ser vai ser diretamente influenciado por onde estamos. "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é...”. Se alguém está em Cristo, passa a fazer parte dele. Como galhos são apenas galhos, mas fazem parte de uma árvore, e os ramos que não podem dar frutos fora da videira. Assim se estamos em Cristo, nós deixamos de sermos nós mesmos e começamos a fazer parte do corpo de Cristo. Sendo transformados à sua imagem.

E esse tem sido o maior erro da igreja em geral. Seja no campo de testemunho diante da sociedade, ou de posicionamento na obra missionária. O Cristão quer ser um cristão sem fazer parte de Cristo, sem tomar parte nos seus sofrimentos. Queremos pregar transformação através da oba redentora, sem nunca termos sido transformados. Queremos estar “em Cristo”, sem deixarmos de sermos nós mesmos, ou sem sermos afetados diretamente por seu caráter. Não existe a possibilidade de ficar na chuva sem se molhar. Porque se estamos na chuva e não nos molhamos, estamos apenas perto da chuva isolados por algo.

É onde o clero gospel joga na lama o que chamamos de cristianismo. Quando temos uma multidão de pessoas, que alegam estar em Cristo, sem nunca terem sido afetadas por ele. E quando nós, que nos denominamos cristãos, vivemos sem praticar nada daquilo que pregamos. Tratando Deus como um sistema isolado, “aprisionado na torre de marfim da exegese.” *. Ou mesmo quando agimos descuidados, como se Jesus fosse um tipo de Papai Noel, ou Super- avô, que sempre vai passar a mão pela nossa cabeça no final das contas. Conseguimos ser tudo e nada ao mesmo tempo. Somos: teólogos, irmãos de banco, tradicionais, renovados, liberais, apologéticos, calvinistas, pentecostais, leigos, judaizantes, missionários, pop crentes... E por ai vai. Mas na maioria das vezes não somos nem cristãos. É somente um estado de espírito ou estilo de vida. Como galhos e folhas secas têm estilos diferentes de balançar quando fora da árvore.   

Enquanto estivermos sustentados em próprios conhecimentos, confiantes em nossas próprias habilidades e preocupados apenas em estar com Cristo e não em Cristo, seremos para sempre, homens caídos. Carentes da glória de Deus.


"Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;" (Fp.1:6)

*Referência à citação de Brennan Menning em “O Evangelho Maltrapilho”.

Paz,
J. Caetano Jr.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Virtudes



Quarta Feira, 26 de outubro de 2011

Virtudes

Tenho aprendido algumas coisas nesse período de tempo no jiu jitsu. O professor Telmo tem sido uma pessoa de muito boa influência na minha vida. Aqui tenho aprendido lições que transpassam os limites de um tatame, e a filosofia do caminho do guerreiro é algo de extremo valor. Observando uma passagem bíblica eu percebi que um determinado exército, foi movido à vitória por uma outra filosofia; ainda que não elaborada teoricamente, mas praticada com sucesso. Então resolvi examinar melhor algumas virtudes desse exército. Pra ser mais preciso, 7 virtudes, como no Bushido.
Juizes Cap. 7:1-25 e 8:1-4
Esse capitulo do livro de Juizes, conta a história de um povo que foi oprimido por outros exércitos maiores que o dele (Midianitas e Amalequitas). Contudo um homem dentre o povo foi levantado para libertar o povo da escravidão. (Aconselho ler os Capitulos 6 e 7 de Juizes, para melhor compreensão).
Algumas virtudes observadas na história da batalha de Gideão:

      
      1 -    Honra, Glória: Assim como no bushido, os homens que aqui lutavam, tinham em vista a glória; mas não de si mesmos. Por esse motivo Deus tomou para si um povo pequeno e de pouca força, porém determinados, para derrotar um grande exército.  “E disse o SENHOR a Gideão: Muito é o povo que está contigo, para eu dar aos midianitas em sua mão; a fim de que Israel não se glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou.” (7:2)
      
    2 -  Coragem, Ousadia: Os homens selecionados para vencer na batalha foram os corajosos, por isso os tímidos e covardes foram dispensados; 22 mil, restando somente 10 mil. Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido, volte, e retire-se apressadamente das montanhas de Gileade. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram.”(7: 3)
      
     3 -  Disciplina, Educação: Dentre os 10 mil que restaram, somente 300 homens não se jogaram de joelhos desesperados por água, como mortos de sede. A atitude de beber água abaixando-se e levando a água à boca com a mão, foi considerada por Deus como um sinal de vigilância e educação.  “E fez descer o povo às águas. Então o SENHOR disse a Gideão: Qualquer que lamber as águas com a sua língua, como as lambe o cão, esse porás à parte; como também a todo aquele que se abaixar de joelhos a beber. E foi o número dos que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; e todo o restante do povo se abaixou de joelhos a beber as águas.” (7: 5 e 6)
       
      4 - Confiança: Os 300 homens restantes, não temeram enfrentar os grandes exércitos, porque confiavam em seu líder e que Deus estava com eles. ”Pelo Senhor e por Gideão!” “E os midianitas, os amalequitas, e todos os filhos do oriente jaziam no vale como gafanhotos em multidão; e eram inumeráveis os seus camelos, como a areia que há na praia do mar.”(7:12)
       
       5 -  Fé: Ainda sabendo que estavam em pequeno número eles acreditaram firmemente que a estratégia de Deus (Apesar de parecer absurda), seria suficiente para a conquista. “Então dividiu os trezentos homens em três companhias; e deu-lhes a cada um, nas suas mãos, buzinas, e cântaros vazios, com tochas neles acesas.”(7:16)
       
     6 -  Unidade na Estratégia: Gideão articulou os 300 em 3 grupos para que agissem simultâneamente, em unidade, com sincronia e estratégia. “E disse-lhes: Olhai para mim, e fazei como eu fizer; e eis que, chegando eu à extremidade do arraial, será que, como eu fizer, assim fareis vós.”
    
    7 -   Perseverança: Após o sucesso da batalha, ainda assim eles perseguiram seus inimigos apesar de cansados, pois eles vivos representavam o risco da nação voltar a ser oprimida. E, como Gideão veio ao Jordão, passou com os trezentos homens que com ele estavam, já cansados, mas ainda perseguindo.”

Então, vendo isso, conscientizo-me da necessidade da disciplina, em todas as áreas da minha vida e espero que algumas coisas sirvam de lição prática na vida, no tatame, e além da vida. Que Deus seja conosco em todas as nossas batalhas; pois ainda que eu tenha tudo isso, e alcance toda a glória pra mim mesmo, perderei a maior das batalhas e guerras. Minha própria vida.



Paz,
J.Caetano Jr.

sábado, 29 de outubro de 2011

Diário de Bordo#2: Sozinho


Num cruzamento qualquer, onde o sinal fica vermelho e somos obrigados a fazer uma pausa. Um lampejo de reflexão acontece. Sou levado a pensar, continuamente, devido às muitas pausas nos sinais; e às vezes, me encontro sozinho.

A rua parece simplesmente deserta, o que eu esperava não aconteceu, minhas companhias estão em outros cruzamentos ou rodovias, e até minhas canções fogem da minha mente. Vejo que sou dependente. Sozinho. Dependente de pessoas, e estar só causa um sentimento de impotência, como se tudo o que faço fosse para os outros. Recordo das coisas que sempre digo, e penso: as lições sobre oração e intimidade com Deus... Realmente, elas agora parecem ser somente teoria vazia.

A me ver aqui parado, somente esperando o sinal mudar, vejo que progredi. E em um momento semelhante a Jacó, sei que o que eu quero não é o que somente o que meus olhos vêem, mas a eternidade, a presença do eterno. Preciso lutar com ele enquanto estamos sozinhos, preciso aprender a me retirar pra conversar com ele. Sofro de ansiedade sem cura, ansiedade pela presença dele, sede da água viva.   

O sinal abre, acelero rapidamente. Com um desejo no coração prossigo, esperar não é tão ruim assim, e estar só, parado num canto talvez seja progredir pra eternidade. Para perto do criador, quando estou sozinho, e pareço perder tempo. Na verdade estou com meu criador, caminhando rumo à eternidade.

“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR. Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele.” (Lm. 3: 26 - 28)


Sábado, 29 de outubro de 2011
J.Caetano Jr.

domingo, 23 de outubro de 2011

Diário de Bordo#1: Medo

Sabe, tenho medo. Mesmo. As vezes eu nem entendo como é que isso acontece. Mas é muito fácil pra mim perder o domínio daquilo que penso ter domínio. Mas a verdade é que não existe nada sob o meu domínio, nunca houve nada sob o meu controle. É que as vezes me sinto só. Quando grito na casa grande, na morada que não posso deixar, (pois sou eu mesmo) e só escuto o eco, subitamente sobe-me um frio na espinha; que até mesmo minha fé desfalece. 

Penso: -Onde estão aqueles que estavam comigo agora a pouco?   
Falo alto: -Ei onde estão vocês? 
Grito: - Deus! Onde está o Senhor? Porque os essa morada se torna tão sombria?! Deus?! DEUS!
Imploro: - "Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito. As ânsias do meu coração se têm multiplicado; tira-me dos meus apertos."*

Meu pensamento racional tenta tomar a frente como se ele mesmo fosse um professor. O raciocínio lógico me afronta, como se ele mesmo fosse um boxeador. Dai contesto e ponho a prova tudo aquilo que eu sempre valorizei, aquilo que sempre busquei e apliquei meus esforços. Todos parecem se voltar contra mim, até mesmo meus íntimos. Observo que tudo aquilo que me cerca é apenas um conjunto experiencias sensoriais sem sentido algum. Tudo parece realmente bagunçado. Como se alguém realmente se importasse com alguma dor! Como se ser racional e lógico sarasse alguma dor! As minhas tentativas de esclarecer fatos, acabam obscurecendo e confundindo mais ainda meus pensamentos.

Caminho meio apressado e cambaleante pelas estradas das minhas dúvidas. Vejo um objeto meu, descuidado, meio empoeirado. No chão, largado. 
- Meu escudo?! Minha fé? O que ela faz aqui nesse lugar? Como perdi ela desse jeito? Como larguei tão relaxadamente a confiança naquele que já fez tanto por mim, me protegendo de tantos perigos?!
Minhas mãos seguram trêmulas o escudo da minha fé. Sem forças consigo ergue-lo vagarosamente, colocando-o nas costas. Já não faço mais força; é como se ele mesmo estivesse me conduzindo. Me carregando 
Ainda dói, mas sei que não estou só, Ele está comigo me progetendo. 

*Salmo 25:16,17

http://olhares.uol.com.br/escudo_medieval_foto274709.html
domingo, 23 de outubro de 2011
J.Caetano Jr.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Paz de Mentirinha

Sobre: Falsa Paz, Arrependimento e Sofrimento

Primeiro queria tentar esclarecer sobre o quê vamos falar; em que sentido utilizamos o termo ‘paz’. Normalmente entende-se por paz, como um estado de espírito, em que se tem tranqüilidade e ausência de preocupações. É visto como a ausência de desentendimentos e geralmente, é confundida com mera satisfação e realização.

Dai vemos pessoas que testemunham do evangelho como um meio de se alcançar paz de espírito, paz interior, nos relacionamentos, paz não sei aonde, e por ai vai.

É bem verdade que Jesus (Príncipe da Paz), falou que daria paz aos que estivessem nele: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (Jo. 14: 27). Então a grande questão não é sobre ter paz, mas sim sobre ter paz verdadeira. A paz genuína que vem de Deus, por estar em sua presença.

Daí entra em cena a falsa paz, que é na verdade o conformismo, ou acomodação, disfarçado e maquiado de bonzinho. E essa é a maior característica da falsa paz; o excesso de conforto, e a passividade com o mundo e os problemas que o cercam.

“... E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.”Jr. 23:17

O engano dos falsos profetas do tempo de Jeremias se repete ainda hoje; às vezes nem são necessários preletores para induzirem crentes ao engano; o auto-engano é suficiente para pessoas de coração duro e amantes de seus próprios deleites. Os homens que cometem pecado voluntariamente e continuamente, têm sua consciência cauterizada e enganam-se quando buscam uma justificativa ou desculpa qualquer para seus erros.

O juízo e o castigo de Deus eram anunciados pela boca de Jeremias, o povo era alertado e chamado ao arrependimento: “Pratiquem a justiça! Demonstrem frutos de justiça”. Mas o discurso dos falsos profetas era parecido com esse: “Paz, nós temos paz! Estamos ricos e abastados*, não precisamos de coisa alguma, Temos TV a cabo, ar condicionado, internet de 10Mb e bancos confortáveis. Nunca o Senhor nos abençoou tanto! O Senhor não castiga besteirinhas e pecadinhos; estamos no tempo da graça! Meus amados, sosseguem e aproveitem o que a vida vos oferece, reduzimos nossos investimentos no reino de Deus, mas Ele nos entende, não nos deixará!”

O falso profeta e a consciência cauterizada não permitem a ninguém enxergar a flecha da ira de Deus, apontada ao coração dos filhos da desobediência**.  “Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está tranqüila e quieta... E com grande indignação estou irado contra as nações que vivem confiantes; porque eu estava pouco indignado, mas eles agravaram o mal.” (Zc. 1: 11, 15). Mas o grito quase imperceptível dos verdadeiros profetas e a voz amável do poderoso salvador anuncia “arrependam-se, abram os olhos para a realidade, tenho grande zelo por Sião”. Portanto, o alerta incansável de Deus aos que ainda o querem ouvir, é uma repreensão e uma amostra de que todas as riquezas, posições ou conquistas realizadas fora da vontade e da graça de Deus, são como palha, pronta a ser queimada pelos babilônicos; e a paz falsa, chamada acomodação, num instante pode se tornar em dor, para que venha o arrependimento verdadeiro. Como disse C. S. Lewis, “O Sofrimento é o megafone de Deus para um mundo ensurdecido”

Não quero dizer aqui que todo sofrimento é castigo de Deus, nem que toda paz é falsa. Mas a paz de Deus é acompanhada por uma inquietação e inconformismo com o mundo e consigo mesmo; sendo confirmada por sabedoria verdadeira e frutos pacíficos de justiça. “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (Tiago 3: 17, 18). Sendo assim, o sofrimento repreensivo é conhecido intimamente pelo que recebe a correção.

Uma vez, escandalizei uma amiga, e sinto que fui um pouco radical na forma como expus minha opinião (mas não deixa de ser minha opinião). “A última coisa que quero alcançar nessa Terra é paz interior e fazer as pazes comigo mesmo.” Talvez para alguns seja diferente, mas comigo funciona assim. Eu sei que enquanto eu militar contra a minha vontade depravada, e contra o impostor que habita em mim, tenho consciência de que existe ainda o espírito de Deus me conduzindo a sua vontade. Contudo, no dia que eu sentir que tudo isso acabou, e que estou em plena paz, sem conflitos internos, praticando ações e tomando decisões deliberadamente, sem nenhum peso na consciência. Posso concluir que: Ou fui glorificado junto ao Pai e já não sou mais pecador; ou seu espírito se apartou de mim pela dureza do meu coração, deixando-me entregue as próprias vontades. Sendo assim, prefiro uma guerra interna, e uma paz eterna, do que momentos de paz internos e sofrimentos eternos.

Portanto, para evitar o sofrimento eterno e o cativeiro terreno, que não se endureçam os corações diante da repreensão do Senhor, e dêem ouvidos a voz de Deus. Pois a grande riqueza e paz que o Senhor tem a oferecer, é sua glória no meio de seu povo, e a sua presença é a maior paz, pois ele se faz como proteção ao seu povo.

“Portanto, assim diz o SENHOR: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; nela será edificada a minha casa, diz o SENHOR dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém:
Clama outra vez, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: As minhas cidades ainda aumentarão e prosperarão; porque o SENHOR ainda consolará a Sião e ainda escolherá a Jerusalém. Pois eu, diz o SENHOR, serei para ela um muro de fogo em redor, e eu mesmo serei no meio dela a sua glória.” (Zc. 1:16, 17 e 2: 5)



* “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.” (Apc. 3:17-19)

** “Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;” (Cl. 3: 5,6)

*** O Problema do Sofrimento - C. S. Lewis



Paz,

J.Caetano Jr.

Skandalizo - Tempo de Maturidade




Excelente video! Vi no site do http://josemarbessa.com/, e no canal JosemarBessa do YouTube. Trata-se de conteúdo puro das Escrituras. Vale a pena confrerir.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

1 Ano de Papo Cabeça!


Na real? Sempre achei esse negocio de blog, uma coisinha irritante de menina. Minha intenção inicial aqui nem era a de ter um blog. A ideia principal era de postar videos no youtube, e aproveitar a hospedagem gratuita da internet, pra ter onde divulgar. Não deu certo. Faltou gente e coragem pra fazer isso; o endereço ja tinha sido criado, dai eu aproveitei a ideia pra postar uns pensamentos.

No principio, eu tive medo, sei lá. Acho um desafio manter isso aqui atualizado, mas acredito que Deus tem propósitos até em coisas aparentemente insignificantes. Cada texto postado passa a ser uma parte de nós que deixamos pra trás, são situações , temores, pensamentos; partes minhas que passam a ser de outros. "Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação e salvação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos;"  (II Coríntios 1 : 6). Não sou um apóstolo Paulo, mas se minhas aflições podem consolar a alguém, seja feita a vontade de Deus.

Então, agradeço a cooperação daqueles que lêem e não desprezam o que posto aqui. Agradeço pela paciência daquelas pessoinhas especiais pra quem eu mando o texto antes de postar. E agradeço a Deus, por cada pessoa desconhecida que lê alguma coisa aqui e se identifica. 

Sei lá dos propósitos de Deus!

Então assim, queria que os leitores ativos ou inativos, permanentes ou passageiros se manifestassem nesse post. Fique a vontade! Reclama, concorda, discorda, chinga (se quiser), abençoa (se Deus quiser), mas ai,  uma coisa é certa. Sou muito feliz por poder dividir com você o que Deus tem me ensinado. =P


Paz,
J.Caetano Jr; 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sobre: Tempo, Mario Bros, e uma viagem de cogumelos.

“Ainda antes que houvesse dia, eu sou;...” Isaias 43:13

Incompreensível. É a palavra que define eternidade, na minha visão. Exatamente. É quase impossível para mim, que sou limitado à dimensão do tempo, compreender, ou ao menos ter idéia do que é a eternidade. Mas talvez, o que eu precise, não é bem entender a eternidade, mas conhecê-la.

Hoje Já existe Super Mario Bros em 3d!
Vamos a uma suposição*. Suponhamos que o Mario, do Supermario bros, fosse um ser pensante; Tudo que ele conheceria seriam coisas em duas dimensões, ele só saberia andar de ladinho e dar aqueles pulinhos; No mundo do Mario todos são limitados a duas dimensões (Fica difícil imaginar a vida em duas dimensões, mas isso é uma suposição filosófica); Vamos supor agora que de alguma forma, seus programadores consigam interagir com o Mario, de forma que eles pretendem tornar o universo 2d, em um universo 3d. Sabendo que para seus programadores isso é possível, pois esta é a dimensão deles, Mario diz: “Cara, eu creio que um dia eu possa ser 3d, acredito que existe algo maior que o mundo que hoje enxergo.” Contudo Luigi incrédulo diz: “Meu, toma vergonha nessa sua cara de bigodão, você deve estar viajando no cogumelo, o que existe é o que vemos, os Koopas, estudiosos já estão quase comprovando o surgimento espontâneo do  nosso universo e que não existem ‘continues’ depois do game over.

Deus não precisa de um DeLorean
Modificado...
Para mim, é complicado entender a vida eterna, da mesma forma que seria complicado para o Mario, compreender um mundo tridimensional. Por isso perguntas como ‘quem criou Deus’ ou ‘como Deus começou a existir’, causam certa confusão na minha cabeça. Porque sou limitado ao tempo, de forma que só conheço as coisas que tem inicio e fim, e não as eternas; Destas tenho apenas noção e acredito nelas por meio da fé, nas promessas de Deus (transcendente), que influencia em nossa dimensão limitada (imanência). 

Mas Deus colocou a eternidade dentro de nós, fomos feitos a sua imagem para vivermos eternamente, e ainda que haja morte do nosso corpo, nosso espírito é eterno. "E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna." (I João 2: 25).


"...Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas." (II Coríntios 4: 18)

É bem verdade que dividimos o tempo em passado presente e futuro; Contamos anos, meses, horas, minutos, segundos, momentos, etc. Estamos sempre preocupados com alguma coisa, vivemos o dia de hoje, afetados pelo ontem e preocupados com o amanhã. Os fatos e problemas cotidianos nos afetam de tal forma, que somos envolvidos num casulo de estratégias mentais para transpor os obstáculos; Esse casulo nos sufoca, impede-nos de aproveitarmos os momentos bons, e até mesmo tira nossa visão da eternidade, prende-nos aqui no tempo, como se ele mesmo não fosse passageiro.

Não podemos perder a visão da eternidade, como se o agora fosse tudo, nem devemos nos alienar ao agora como se a eternidade já fosse chegada. A bíblia ensina em II Coríntios 4: 17, que ao passarmos por aflições, em Cristo, nossas tribulações produzem em nós um peso eterno de glória, porque nossa esperança não está nas coisas da terra, e ainda que tudo o que planejamos dê errado, os planos de Deus são infinitamente superiores aos nossos.

Então, às vezes tentar resolver tudo com as forças disponíveis, é somente enfado e canseira. Quando a confusão e a preocupação com seja lá o que for, nos deixa atordoados, o melhor a fazer é parar. Pois buscando a presença do eterno, sabemos que em sua onipotência, ele promete bondade, e ainda que nossos pecados sejam o maior problema, ele promete redenção. Cara, ele é o criador de tudo, está além de nossa dimensão, compreende o incompreensível, e não vê como nós vemos, ele enxerga as intenções do coração; “... porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.” (I Sam 16:7).

Aproveite seu tempo de maneira sábia. Parar na presença de Deus, meditar em sua Palavra, e orar não é perda de tempo. Apesar de surgirem sempre inquietações e coisas a fazer. Parar no tempo, o deixar rolando sem se preocupar com nada, e entregar tudo nas mãos do divino; É a escolha mais eterna que um ser temporal pode tomar.



*Essa suposição é inspira em outra semelhante, de Rob Bell, na palestra “Everything is Spiritual” Pode procurar no youtube que tem!


Paz,

J.Caetano Jr. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Amor

Amor que traz guerra

Por Séculos o ser humano tentou alcançar uma sociedade perfeita, o desenvolvimento das ciências, das artes, arquitetura e meios de subsistência foram tentativas vãs de alcançar a paz e o equilibrar a sociedade em que viviam. Ao invés disso as guerras tomaram lugar de destaque, pelo egoísmo e pela ambição. Civilização contra civilização, militarização e mortes, o homem que buscava paz alcançou guerra, destruindo vidas.
A filosofia de alguns diz que o conhecimento é o caminho, o Tao, e de outros diz que a convivência equilibrada se alcança por meio da moral. Na civilização hebraica foram estabelecidas leis morais e cerimoniais, das quais Moisés fora o mediador, entre Deus YAHWEH e o povo hebreu. Ainda assim as leis morais não fizeram com que o povo alcançasse perfeição, não por serem ineficazes, mas por jamais terem sido vividas na integra Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.” (Tiago 2: 10).

Certa vez, uns mestres da lei perguntaram a Jesus qual era o grande mandamento:  “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.” “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”(Mateus 22: 37, 40). Mas falar de amor de maneira generalizada acaba por ignorar algumas coisas, e considerar tudo que achamos bom como sendo amor. Acontece que o amor bíblico entra em confronto direto com a maneira de viver do nosso mundo, e apesar de querer paz e salvação a todos os homens, propõe um estado de guerra. O capitulo 10 de Mateus explica bem esta situação: “16. Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; 34. Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada”.

Uma das características do amor cristão esta descrita em 1corintios 13: 6: “Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade”, e isto é um contaste com o que é observado na nossa sociedade. Não rejeitando de forma alguma os princípios morais do antigo testamento e pondo em prática a misericórdia, a caridade, o perdão e o zelo pela santidade de Deus.

Entendendo essas coisas e observando a perfeição da proposta do amor de Jesus, questiono: O meio em que vivemos deveria ter sido transformado por esse amor. Como, em dois mil e poucos anos nossa sociedade só piorou? Como depois de conhecer que o amor é a chave, a porta do equilíbrio social continua fechada e lacrada com cadeados de injustiça? Foi profetizado: "E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará." (Mateus 24: 12).

O evangelho é Dunamis*, poder pra transformar vidas e impactar a sociedade, segundo o próprio Jesus é o caminho, a revolução, a cura, a saída desse mundo corrupto. The Cristian Way of life**, não é um estilo de vida confortável, e não promete em momento nenhum um mundo perfeito, nem a regeneração da sociedade; tem sim sua influencia positiva sobre a sociedade, mas o sistema do mundo está condenado, ele jaz no maligno. Com isso deve-se entender que o plano de Deus para o homem esse sim, é perfeito, e visa muito mais do que uma sociedade equilibrada e saudável (humanamente falando). A revolução do amor de Cristo chama-nos para fora de um sistema corrompido para entrar na causa do reino de Deus. Que é muito maior do que qualquer promessa de sistema de governo passageiro. É a eternidade na presença de Deus. Essa deve ser nossa Esperança. "Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo." (Romanos 14: 17), "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui." (João 18: 36)

O amor e a humildade de Cristo ainda são impactantes. Não somente pelo alto conhecimento que possuía, mas por abraçar uma causa e fazer dela sua vida, negando suas próprias vontades e confortos: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Mt. 8: 20) em contato com o Pai e em amor a Ele, para que o amor do Pai pudesse ser manifesto ao mundo. Essa era sua causa, sua vida e sua morte.  

Então esse é o objetivo da revolução do amor, da guerra pelo amor. Fazer com que o amor e a glória de Deus sejam conhecidas, e salvar aos que se encontram aflitos e sobrecarregados. Reconciliação.

A guerra contra o sistema um dia vai acabar, o cordeiro vai voltar para colocar as coisas nos eixos, mas enquanto isso “Saiamos, pois, a ele fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou.” (Hb13:13). Para que a revolução do amor alcance tantas outras pessoas que assim como eu, precisam de arrependimento e do lavar regenerador do Espírito Santo.


*Dunamis ou Dynamis (grego δυναμις) é uma antiga palavra grega que significa "poder" ou "força”. (Fonte: Wikipédia)
**Contrariando o American Way of Life, Estilo de Vida Americano



Paz,
J.Caetano Jr.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre: Órbitas, mentalidade, focos e objetivos


Pretendo falar um pouco desse assunto de maneira mais simples possível, como um leigo. Utilizando os temas científicos e históricos apenas como exemplos e ilustração, ignorando (por ignorância) até algumas das leis que regem a complexidade de nosso universo físico.

Todos sabemos que o nosso mundo passou por um período chamado de “idade das trevas”, ou era medieval. E infelizmente a religião dita cristã, teve culpa nos massacres cometidos aos que ousavam obter conhecimento, afrontando às superstições e o misticismo da época; estes que ousavam dizer que a terra não era o centro do universo, ou que a mesma era redonda e girava em torno do sol; foram mortos e perseguidos por “afrontar a Deus” com sua ciência maluca. Por medo sem sentido, falta de fé e conhecimento, fizeram isso, os que se diziam cristãos; pois o desenvolvimento da ciência e o conhecimento obtido acerca do universo e de suas leis, tem somente mostrado quão complexa e grandiosa é a criação de Deus.

O desenvolvimento das ciências, o Renascimento e o próprio Iluminismo trouxeram consigo a abertura do conhecimento a todos, tendo influenciado até a reforma protestante. Contudo com esses movimentos culturais e filosóficos, o já conhecido egocentrismo tirou a fé da jogada (teoricamente), e o Teocentrismo cego imposto pela igreja e pelas tradições, foi substituído por um Antropocentrismo também imposto, e que enxerga muito mal.

Tomando como base esse Anthropos VS. Theos, percebemos que há uma tendência, não só ideológica, mas também pessoal, de se ter algo como centro, alvo de exaltação ou apologia; uma razão para existência, causa pra se viver ou morrer.


Fisicamente pode-se ver também, uma tendência natural de se ter foco ou centro em um objeto de maior magnitude, massa, densidade e que exerce atração sobre aquele que é atraído. Entendemos pela Lei da Gravitação Universal, que existe uma força fundamental de atração, que age nos corpos de acordo com suas massas e quantidade de matéria, unindo objetos e fazendo-os permanecerem em órbitas. "O planeta em órbita em torno do Sol descreve uma elipse em que o Sol ocupa um dos focos "[Primeira Lei de Kepler].    

Da mesma forma há uma tendência de se ter a mentalidade transformada e atraída por corpos (ideais reais), que estão em foco, ou seja, que se dá atenção a ponto de se ter a vida girando em torno deles, numa orbita composta por fatos e objetivos. Então, se entende que a partir do momento que alguém vive em função de algo, ou de outro alguém, nisso se faz presente uma relação de senhorio e servidão, “... Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo." (II Pedro 2: 19). Essa relação pode se dar de maneira direta e consciente, ou não, mas sempre é estabelecida uma relação de dependência entre a pessoa e aquilo em que ela tem foco.

Com isso vemos então que quando Deus diz: "Não terás outros deuses diante de mim." (Êxodo 20: 3), e "Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças." (Deuteronômio 6: 5), significa dizer que, tendo qualquer outra coisa como principal objetivo de existência; seja pessoa, objeto ou a si mesmo; consiste em uma forma de idolatria. É como rebaixar Deus a um plano secundário, permitindo-se ser irresistivelmente atraído e iluminado por outros “astros” de menor magnitude; focado em alguma coisinha sem importância, numa órbita errada e sem futuro, de um objeto sem estabilidade e com infinitas possibilidades de colisão interplanetária. Não podemos servir a dois senhores. Não podemos estar em duas órbitas. Cristo já realizou o impossível para que tivéssemos liberdade de estar em segurança sob a infinita, soberana e sublime atração de sua Glória [ler Colossenses 1: 19-22].

Estrela Antares - Alpha Scorpii 
Portanto, pegue todos os pensamentos e planos que excluem o Soberano e leve para a reciclagem, permita ter a mentalidade transformada e iluminada pela mente de Cristo, tome a servidão de um jugo verdadeiramente suave e leve cujo final é vida. E não permita de forma alguma que sua vida circule em torno de coisas sem futuro, mas que todas as atividades sejam para a glória de Deus, nunca visando à própria glória, e assim, tudo mais será acrescentado, e desta forma os relacionamentos ou conquistas serão saudáveis. Tenha foco, abra mão e se esforce por imitar e estar na órbita do gracioso salvador.

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. ”(Colossenses 1: 16, 17)


Paz,
J. Caetano Jr.

   


terça-feira, 19 de julho de 2011

Os incomparáveis sofrimentos

Uma oração

Pai, o que podemos dizer? Sentimo-nos totalmente indignos diante dos sofrimentos indescritíveis de Cristo. Lamentamos muito. Foi por nosso pecado que ele sofreu. Fomos nós que o espancamos, cuspimos nele e o ridicularizamos. Pai, nós te pedimos perdão. Curvamo-nos até o chão, e silenciamos a boca da nossa alma insignificante, perversa, mesquinha, pecaminosa. Pai, renova-nos a fé para que possamos acreditar no inacreditável. Acreditar que o sofrimento de Cristo é a nossa salvação. Abre nosso coração medroso para aceitarmos o evangelho. Desperta as partes adormecidas de nosso coração, incapazes de sentir aquilo que deve ser sentido – que somos amados com o amor mais profundo, mais forte e mais puro do universo. Concede-nos a graça de compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo que excede todo o entendimento, e que possamos ser abastecidos com toda a plenitude de Deus. Luta por nós ó Deus, para que não nos tornemos insensíveis, cegos e tolos a ponto de nos deixar levar por filosofias vãs e fúteis. A vida é curta demais, preciosa demais, dolorosa demais para ser desperdiçada como se fosse uma efêmera bolha de sabão. O céu e grande demais, o inferno é horrível demais, e a eternidade é infinita para permanecermos na indecisão. Ó Deus, abre nossos olhos para a vastidão dos sofrimentos de Cristo e o que eles significam para o pecado, a santidade, a esperança e o céu. Não queremos ter a tendência de nos preocupar com banalidades. Torna-nos mais conscientes da importância da glória – a glória dos sofrimentos incomparáveis de Cristo. Em seu nome excelso e maravilhoso, oramos. Amém.

 






Um homem chamado Jesus Cristo – John Piper
Editora Vida - Cap.8  Pg.66 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sobre: Esperança

Tenho sentido necessidade de falar sobre esperança há algum tempo. Mas para um pessimista, falar de esperança é uma das coisas mais difíceis que existem. Contudo, o Deus que eu creio, é um Deus que até aos desacreditados e desesperados dá esperança, quanto mais aos pessimistas. 


Juntando todo o conhecimento superficial que se tem a respeito de esperança, eu e alguns pensadores livres podemos concluir que esperança é esperar algo com confiança, ainda que sem provas, sem abandonar a perseverança.

É comum ouvirmos pessoas afirmando “esse mundo não tem mais esperanças”, "essa pessoa não tem mais jeito" ou coisas do tipo, e é o que realmente acontece. Não que não haja solução para as misérias do mundo, mas as esperanças, assim como a fé são mal direcionadas.


Esperar que o mundo seja transformado de uma hora pra outra em um paraíso, é pura tolice. Que algum sistema de governo implantado, ou economia, mude radicalmente as vidas das pessoas, fazendo-as felizes e realizadas é maior tolice ainda. Pode-se claramente ter esperança numa mudança de vida, em uma melhoria, ou quem sabe em um aumento de salário. Mas quando se trata de solução para o mundo, fim da violência, recuperação da essência do que somos, e salvação da própria alma; vemo-nos impotentes, e sozinhos tememos. Existe em nós uma plena consciência de que estamos caminhando para algo além da morte. E que de se existe um Deus criador, bom e perfeito, de forma alguma conseguimos agradá-lo, pois sentimos sua ira pesar sobre nós, e claramente seremos condenados por nossos constantes delitos. E como diziam os homens de Judá nos tempos de Jeremias, ainda se diz: Não há esperança, porque andaremos segundo as nossas imaginações; e cada um fará segundo o propósito do seu mau coração.” (Jer. 18: 12)

Para os antigos esses pensamentos também eram a realidade apresentada, a solução e esperança conhecida era a lei, e a maior expectativa de certo povo era a vinda de um messias libertador, o cumprimento da promessa, um Cristo que guerreasse por eles e mudasse a estrutura do mundo estabelecendo o reino de Deus. Ele veio, mudou estruturas, libertou a muitos e iniciou o reino dos céus de forma visível. Ele iniciou uma revolução ideológica em todo o mundo, e o mais incrível, mais do que ideologicamente, ele ofereceu transformação espiritual, e deu esperança de salvação aos que sempre sentiram necessidade.

“... Cristo em vós, esperança da glória;” (Col.1: 27) “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hb4: 16), “(Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus.” (Hb7: 19). Cristo foi, e ainda é a única esperança para homens miseráveis e desesperançados se chegarem a Deus.

A esperança não é algo que leva as pessoas a crerem em uma solução para algo, mas sim um produto da fé unida à perseverança. No ponto de vista individual e pessoal, podemos dizer que esperança é algo que nos acompanhará pro resto da vida, se tivermos ao menos um pouco de fé de que as promessas de Deus são perfeitas (falo promessas no ponto de vista geral, não individual), e se cumprirão. Pois a maior promessa que existe é aquela que Jesus fez em Jo.14:3 “virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”

Um cara que soube exemplificar muitíssimo bem essa questão de esperança e fé foi John Bunyan. Na prisão, por pregar o evangelho, sendo um leigo, ele escreveu sua grande obra “O Peregrino”. Em determinada parte o protagonista, Cristão, passa por uma cidade com seu companheiro, chamado Fiel, e lá, na Feira das Vaidades eles são acusados de perturbar a paz dos cidadãos com doutrinas estranhas. E assim são levados a juízo e presos (injustamente). Fiel é queimado vivo enquanto Cristão permanece no cárcere, daí, um jovem da cidade, auxilia Cristão na fuga e se une a ele pelo resto da jornada. Seu nome é Esperança. Durante a caminhada, rumo à cidade celestial, os dois resolvem ir por um caminho aparentemente mais fácil e acabam sendo capturados pelo gigante Desespero, e aprisionados no Castelo da Dúvida. Então eles passam pela seguinte situação:  

“...E acompanhou-os até à porta do cárcere, dando-lhes muitos açoites. Ali permaneceram tristes todo o dia de sábado, em circunstâncias tão lamentáveis como anteriormente.
Chegada a noite, tornou o gigante a conversar com sua esposa (Desconfiança) acerca dos peregrinos, estranhando que nem os açoites nem os conselhos pudessem dar cabo deles. - Receio, disse a mulher, que nutram a esperança de que venha alguém libertá-los, ou que tenham conseguido alguma chave falsa, por meio da qual esperam evadir-se. Eu amanhã os revistarei, volveu o gigante.

Era perto da meia-noite de sábado quando os nossos peregrinos começaram a orar, continuando ambos em oração até quase ao romper da alvorada.
Momentos antes de amanhecer, rompeu Cristão nestas fervorosas palavras, como se estivesse espavorido: Que louco e que néscio eu sou em estar aqui neste calabouço, quando podia estar gozando a liberdade! Tenho no peito uma chave chamada Promessa que, estou persuadido, poderá abrir todas as fechaduras do castelo da Dúvida. – Sim! Exclamou Esperança: Que boas notícias me dás, irmão; tira pois a chave do teu seio e experimentemos.

Cristão tirou a chave e aplicou à porta da prisão. Instantes depois a fechadura cedia, e a porta abria-se de par em par, com a maior facilidade. Cristão e Esperança saíram.
Chegaram à porta exterior que dava para o pátio do castelo, a qual cedeu com a mesma facilidade...”

Sendo assim, temos pelas escrituras promessas, que nos enchem de esperança, algo que não nos traz confusão, antes confiança, e fé de que seremos libertos da nossa própria corrupção. E pela graça de Cristo, alcançaremos o objetivo para o qual fomos criados, a glória de Deus. Portanto independente do que somos hoje, temos esperança de que o amor e sacrifício de Cristo são suficientes para transformar, e salvar até o pior dos pecadores. 

Sei que as minhas palavras não são suficientes para explicar a esperança que brota de um coração de pedra, mas essa esperança é apenas fruto de uma fé que não se apoia em si mesmo. Vamos ficar com as palavras do apóstolo Paulo: "Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo." (Romanos 15: 13).


Obs.: Recomendo que se leia a carta aos Romanos, e algum dia se sentir vontade, “O Peregrino” de John Bunyan.


Paz,
J. Caetano Jr.
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